Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Apesar da crise, empresa de autopeça Amvian antecipa nova fábrica no País

Fabricante americana de bancos foi escolhida pela Volkswagen para substituir o grupo Prevent, com o qual rompeu contrato após longa disputa comercial; por falta de peças, marca alemã paralisou a produção e deixou de fabricar 150 mil veículos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2017 | 05h03

O grupo americano Amvian, fabricante de estruturas para bancos automotivos, antecipará em quase meio ano o início das operações de sua fábrica em Atibaia (SP), agora previsto para abril. O motivo é atender a Volkswagen, sua mais nova cliente. O contrato de fornecimento com a montadora alemã, fechado em agosto, também exigiu do grupo a construção de um prédio extra para dar conta do aumento da produção.

A Amvian foi escolhida pela Volkswagen para substituir o grupo Prevent, com o qual rompeu contrato de fornecimento após uma longa disputa comercial. Sem bancos, a marca alemã teve de paralisar as linhas de montagem por várias semanas nas três fábricas de automóveis em São Bernardo do Campo, Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR) ao longo do ano passado. Ao todo, 150 mil veículos deixaram de ser produzidos em razão das paradas, segundo a montadora.

Por enquanto, as peças para a Volkswagen estão sendo feitas no condomínio industrial alugado pela Amvian em Atibaia em 2011 para atender demandas da General Motors e, depois, da Renault e da PSA Peugeot Citroën, enquanto a fábrica estava em construção em uma área própria na mesma cidade.

“Com o contrato da Volkswagen, o projeto foi antecipado em aproximadamente cinco meses”, afirma Leandro Marquesini Maricati, diretor geral da Amvian. Foi preciso também incluir um novo prédio, em tamanho igual ao que estava em obras. Em abril, a produção hoje feita no condomínio industrial será totalmente transferida para as novas instalações, que ainda não estarão totalmente concluídas.

Foram investidos na fábrica R$ 80 milhões, dinheiro bancado pela matriz, que vê no Brasil oportunidades para ganhar mercado, mesmo em tempos de crise. A unidade terá 57 robôs e adotará sistema de solda a laser que realiza o processo três a quatro vezes mais rápido que a solda comum, informa Maricati.

Sem férias. Em dezembro e início deste mês, enquanto a maioria das empresas de autopeças parou as atividades para as tradicionais férias de fim de ano – várias delas por prazo superior ao normal em razão da crise que reduziu as encomendas –, a Amvian operou a todo vapor. Os cerca de 680 funcionários só ficaram em casa nos finais de semana de Natal e Ano Novo.

Além de formar estoque para fornecer à Volkswagen a partir de segunda-feira, quando a montadora retoma atividades após quase três semanas de férias coletivas, a produção também foi acelerada para completar cerca de 15 mil carros prontos no pátio à espera de bancos desde o final do ano passado.

Do total de funcionários, 420 foram contratados nos últimos quatro meses e atuam na linha que produz peças para a Volkswagen. Pelo menos 5% deles são ex-funcionários da Keiper, empresa do grupo Prevent instalada em Mauá (SP), demitidos após o fim do contrato com a Volkswagen.

Familiar. O grupo Amvian está no Brasil desde 2011, quando passou a fornecer componentes para modelos da General Motors fabricados em São Caetano do Sul (SP). Um ano depois, inaugurou unidade em Gravataí (RS) para atender exclusivamente as linhas de veículos na filial da GM naquela cidade, onde emprega 170 pessoas.

De origem familiar, a Amvian foi fundada em 1996 pelo empresário indiano Arvind Pradhan, que juntou as iniciais dos nomes dos três filhos para batizar a empresa: Amar, Vishal e Anne.

A Amvian pertence à holding P&C Group 1, que detém também a marca Camaco, e tem dez fábricas nos Estados Unidos, México, Alemanha, Polônia, Índia e Brasil. Emprega 3,5 mil funcionários e fatura cerca de US$ 600 milhões ao ano. Seus principais clientes globais são GM, Ford e Grupo Volkswagen.

“Até 2009, o grupo atuava apenas nos EUA, onde tem quatro fábricas, mas a partir daí começou a expansão para os demais países e, desde então, vem crescendo em média 15% ao ano”, diz Maricati, engenheiro mecânico de 42 anos que trabalhou na Keiper por 15 anos.

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