Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Apesar de crise no setor, Avianca é alvo de interesse de rivais

Entre as interessadas estão as americanas Delta e United Continental, além da chinesa HNA, que já é sócia da Azul; ao contrário das concorrentes, Avianca vem ampliando oferta de voos no País

Reuters

06 Junho 2016 | 21h21

Os negócios da companhia aérea colombiana Avianca, que estão à venda, despertaram interesse de vários grandes grupos do setor, apesar da desaceleração econômica latino-americana, em função da derrocada das moedas na região. 

Para compradores estrangeiros munidos de dólares, a Avianca oferece uma sólida posição em um continente com pouca competição e bastante potencial inexplorado para viagens de lazer e negócios. Figuram entre as interessadas as americanas United Continental e Delta, além da chinesa HNA, que já tem uma participação na brasileira Azul, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters.

A Avianca não esteve imune aos maus resultados mostrados pelas companhias aéreas latino-americanas, tendo registrado três prejuízos consecutivos. Com as moedas locais perdendo valor, as companhias sofrem com custos em dólar, em especial o querosene de aviação e o leasing de aeronaves.

Enquanto isso, empresas americanas estão em uma fase de demanda aquecida no mercado interno e, por arrecadarem em dólares, têm recursos para esperar o mercado latino-americano melhorar – mesmo que a “virada” demore um pouco.

“O mercado vai voltar a crescer”, disse o diretor executivo para os EUA da chinesa Hainan Airlines, Joel Chusid. Ele afirmou falar como conhecedor do setor, sem comentar qualquer movimento da HNA, que é controladora da Hainan.

Segundo especialistas no setor de aviação, um dos vetores do crescimento das viagens de avião na América Latina seria a substituição do uso do ônibus e do automóvel para trechos de maior distância.

Terreno. A United e a Delta têm se mostrado ansiosas em reduzir a diferença perante a American Airlines, cuja fatia de mercado na América Latina é maior do que as participações das duas combinadas, segundo a consultoria Euromonitor. A American tem acordo de compartilhamento de voos com a aérea líder na região, a Latam.

A Delta comprou 9,5% da brasileira Gol e tem negado informações de que elevaria a fatia na empresa caso o governo brasileiro passe a permitir que grupos estrangeiros tenham o controle de empresas aéreas nacionais. A Gol, atualmente, faz um penoso processo de renegociação de dívida, pedindo altos descontos a credores estrangeiros.

A rival Azul tentou por quase três anos lançar ações na BM&FBovespa antes de vender 23,7% de seu capital à chinesa HNA por US$ 450 milhões. A Azul também recebeu investimento de 100 milhões de dólares da United e assinou acordo de compartilhamento de voos com a empresa aérea americana.

A Avianca Brasil, separada do grupo colombiano para não ferir as restrições de capital estrangeiro no Brasil, tem sido mais agressiva do que suas concorrentes. A empresa expandiu sua capacidade em 15% de janeiro a abril deste ano, enquanto suas rivais têm cortado rotas e devolvido aeronaves.

Com a estratégia mais agressiva, a companhia vem ganhando participação de mercado nacional. Entre abril de 2015 e abril de 2016, a fatia de mercado da companhia passou de 9,3% para 11,7% – um avanço de 2,4 ponto porcentual. Na mesma comparação, a Azul cresceu só 0,4 ponto porcentual, enquanto a TAM se manteve estável e a Gol encolheu 2,9 pontos.

O presidente da Avianca Brasil, José Efromovich, disse no sábado, em Zurique, na Suíça, apenas que a empresa está “aberta a oportunidades”.

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