Fabio Motta/Agência Estado
Fabio Motta/Agência Estado

Apesar de queda no crédito, lucro do BB avança 16% e soma R$ 2,7 bi no trimestre

Mesmo com a piora no indicador, motivada pelo recuo nos empréstimos a empresas, presidente do banco aposta em um crescimento de 6% no crédito para o ano que vem, puxado por pessoas físicas; BB busca reforçar área de banco de investimentos

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2017 | 00h02

O Banco do Brasil encerrou nesta quinta-feira, 9, a temporada de divulgação de resultados dos grandes bancos do terceiro trimestre com o anúncio de um lucro líquido de R$ 2,7 bilhões, alta de 15,9% em um ano. Maiores receitas com serviços, queda nas despesas com provisões para devedores duvidosos e também menos gastos operacionais explicam o desempenho da instituição.

++TCU cobra devolução de R$ 39 bilhões de bancos

Apesar da melhora nos resultados, a carteira de crédito, que encerrou setembro com saldo de R$ 677,037 bilhões, encolheu 2,7% na comparação com junho e 7,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. A piora no indicador foi motivada principalmente pelas empresas, que registraram queda nos empréstimos de 13,5% em um ano. Já o crédito voltado à pessoa física ficou estável.

++Caixa abre linha de crédito de R$ 500 milhões para varejo

Até setembro, a carteira de crédito ampliada interna do banco encolheu 6,9%, contra projeção de queda de 4% a 1%. Mesmo distante da meta para o ano, o banco não revisará suas estimativas, porque aposta que o quarto semestre virá forte no quesito empréstimos.

++Governo admite transformar Caixa Econômica em sociedade anônima

De acordo com o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, a instituição espera que o crédito em geral apresente incremento de cerca de 6% no próximo ano. “Com o cenário de inflação baixa, acreditamos na continuidade da queda dos juros e no crescimento do crédito em 2018”, disse o executivo, em coletiva de imprensa.

Inadimplência. O banco viu uma trégua nos calotes no terceiro trimestre. O índice de inadimplência, que considera atrasos com mais de 90 dias, ficou em 3,94% ao fim de setembro, com uma melhora de 0,17 ponto porcentual ante 4,11% em junho.

“Apresentamos a primeira queda da inadimplência desde dezembro de 2016 e esperamos que o indicador melhore em 2018”, afirmou Caffarelli, destacando a melhora de risco da carteira do BB, que tem se debruçado em segmentos de menor risco e mais rentáveis. No ano, no entanto, houve alta de 0,44 ponto porcentual.

As despesas com provisões para devedores duvidosos, um dos motores para o lucro do trimestre, foram a R$ 6,257 bilhões de julho a setembro, queda de 6% em um ano. Nas receitas com tarifas e serviços no terceiro trimestre, o Banco do Brasil apresentou crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período de 2016, totalizando R$ 6,562 bilhões.

Embora o retorno do banco ainda esteja distante dos pares privados, o Caffarelli disse que o BB está no “caminho certo” para aproximar sua rentabilidade da de seus rivais, tendência que deve ser confirmada em 2018. “Nós vamos encostar nos pares privados. Esse caminho não é rápido, mas é constante”. O retorno sobre patrimônio líquido da instituição foi a 10,8% em setembro, melhora de 0,9 ponto porcentual em um ano. No acumulado do ano, a rentabilidade da instituição chegou a 12,3%.

Vendas. Após anunciar na quarta-feira a venda de sua participação na companhia de eletricidade Neoenergia, o banco pode se desfazer de mais ativos, afirmou Caffarelli. “A venda da Neoenergia não é o último movimento que o banco fará, mas reforço que nenhum ativo do core business está sendo considerado para a venda”, explicou o executivo.

Questionado sobre a expectativa do banco em relação ao ganho que terá com a venda de sua fatia na Neonergia, Caffarelli não deu mais detalhes.

O executivo afirmou ainda que o banco não está considerando agora a separação (spin off) da sua área de banco de investimento, mas que a instituição está debruçada na análise para ter uma atuação mais firme neste segmento.

No fim de setembro, a Coluna do Broadcast antecipou que o Banco do Brasil avaliava separar seu banco de investimento em uma subsidiária única na tentativa de ter um melhor retorno da operação. Na época, questionado sobre o estudo, Caffarelli não negou, mas disse que não sabia sobre essa possibilidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.