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Apesar de resultado melhor, ação da TIM cai 3% com troca de presidente

Mandato do executivo Stefano De Angelis à frente da operadora foi período de alta em resultados e de ganho de 90% nas ações; substituto terá de cuidar de finanças num cenário desafiador e, ao mesmo tempo, decidir sobre eventual consolidação com a Oi

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2018 | 11h32
Atualizado 20 de julho de 2018 | 21h47

No dia em que divulgou uma alta de mais de 50% em seu lucro líquido – que atingiu R$ 335 milhões no segundo trimestre de 2018 –, a ação da operadora de telefonia celular TIM, que teve um forte desempenho ao longo dos últimos dois anos, fechou em queda de 3,3%, cotada a R$ 13,15, na esteira do anúncio da substituição do presidente da operação brasileira, Stefano de Angelis, considerado responsável pela “virada” da operadora e pela recuperação de seus resultados desde 2016.

Embora a empresa tenha feito um trabalho para garantir uma transição tranquila – o nome de Sami Foguel, que já exerceu cargos executivos nas áreas portuguesa TAP e na brasileira Azul, já foi anunciado como seu substituto, assumindo o posto na segunda-feira –, o mercado se ressentiu da mudança. 

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Apesar de o contrato de Angelis estar quase no fim, parte dos analistas acreditava na possibilidade de renovação. “Angelis era o capitão de um grande time, e o mandato é associado à boa virada operacional na performance da companhia”, disseram os analistas Daniel Federle e Felipe Cheng, do Credit Suisse. 

Desde que assumiu, em maio de 2016, o valor de mercado da TIM aumentou 90%. O analista Fred Mendes, do Bradesco BBI, concordou: “A renovação do contrato seria considerada uma boa notícia.” Angelis, no entanto, permanece no conselho, em mandato que só vencerá em 2020.

Há também desafios de mercado, que está cada vez mais competitivo à medida que o consumidor está menos dependente dos planos de voz das operadoras e mais interessado em banda larga móvel. “O novo diretor-presidente enfrentará um cenário cada vez mais desafiador de queda (relativa) de preços de planos pós-pagos, enquanto os planos pré-pagos estão se tornando mais agressivos”, alertaram os analistas do Credit Suisse.

Fator Oi. A italiana também é considerada a “compradora natural” da Oi, quarta colocada no mercado brasileiro, que só recentemente conseguiu um acordo credores, que trocaram débitos bilionários por participações no negócio. Agora, Foguel terá de a missão de levar adiante o negócio. Com isso, há expectativa de entrada de dinheiro novo na companhia.

Nos últimos anos, a TIM vem falando abertamente que busca liderar uma potencial consolidação do mercado brasileiro – o que foi reiterado no anúncio do balanço. “A TIM deve ser uma participante do processo de consolidação do setor. Temos trabalhado no lado financeiro e em tudo o que importa para assumir essa posição”, disse ontem o diretor financeiro Adrian Calaza. “Nossa tarefa é estarmos preparados para isso. E nós estamos.”

Na ponta operacional, o foco da TIM permanece em pilares como a ampliação das redes internet móvel 4G, expansão da banda larga via tecnologia de fibra óptica, melhora na experiência dos clientes, digitalização dos serviços de atendimento e um controle rígido dos custos. No campo financeiro, a meta é ampliar o faturamento em torno de 5% a 7% ao ano até 2020. Até lá, também pretende elevar o fluxo de caixa (medido pelo Ebitda, sigla para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) a 40%, ante o patamar atual de 36,5%. / COLABOROU RENATO CARVALHO

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