Marcio Fernandes/Estadão
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Apesar de Samarco, Vale tem lucro de R$ 3,6 bilhões no 2º trimestre

Mesmo com uma queda de 30% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado ficou acima do esperado por analistas; mineradora conseguiu lucro a despeito da provisão feita por causa do desastre de Mariana

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2016 | 07h41

SÃO PAULO - A Vale apresentou um lucro líquido de R$ 3,585 bilhões no segundo trimestre deste ano, queda de 30% em relação ao visto um ano antes e de 43% se comparado ao mesmo trimestre do ano passado. No primeiro semestre, a maior produtora de minério de ferro do mundo reverteu prejuízo e alcançou lucro líquido de R$ 9,896 bilhões. A mineradora brasileira conseguiu alcançar lucro, superando as estimativas de analistas de mercado, a despeito da provisão que realizou no exercício por conta do desastre da Samarco, no ano passado.

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado no segundo trimestre deste ano ficou em R$ 8,341 bilhões, aumento de 22% em relação ao segundo trimestre de 2015 e crescimento de 9% ante o intervalo de janeiro a março deste ano. Nos primeiros seis meses do ano, o Ebitda ajustado foi a R$ 16,026 bilhões, aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita operacional líquida, por sua vez, ficou em R$ 23,203 bilhões no segundo trimestre deste ano, aumento de 8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado e expansão de 5% ante o trimestre imediatamente anterior. No semestre, a receita foi a R$ 45,027 bilhões, alta de 15%.

No relatório que acompanha o seu demonstrativo financeiro, a Vale explica que a queda de US$ 670 milhões no lucro líquido em relação ao período de janeiro a março de 2015 deveu-se à provisão de US$ 1,038 bilhão relativo à Samarco. Ontem a mineradora informou que devido à "reduzida expectativa" de retorno das operações da Samarco em 2016, levando em conta o status atual do processo de licenciamento ambiental, e diante das incertezas adicionais em relação ao fluxo de caixa da Samarco reconheceu a provisão do valor presente da estimativa de sua responsabilidade secundária, equivalente a 50% das obrigações da Samarco no acordo.

No segundo trimestre, mantendo sua estratégia de diminuir produção em minas de maiores custos, a produção de minério de ferro da Vale alcançou 86,823 milhões de toneladas no segundo trimestre, 2,8% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, mas crescimento de 12% ante o intervalo imediatamente anterior. Para o ano, a mineradora brasileira tem como meta alcançar uma produção de entre 340 milhões e 350 milhões de toneladas.

Pilares. A Vale conquistou mais um recorde e alcançou o menor custo de sua história recente para o minério de ferro produzido pela companhia e entregue na China, seu maior cliente, destino de quase 60% vendas no segundo trimestre deste ano.

A Vale mostra que o breakeven (equilíbrio entre receitas e despesas) caixa do minério de ferro e pelotas entregue na China foi de US$ 30,3 a tonelada no segundo trimestre do ano, ou seja, voltou a cair. No primeiro trimestre deste ano, o custo estava em US$ 30,9 por tonelada e, no mesmo intervalo do ano passado, era de US$ 40,4 por tonelada.

O diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani Pires afirmou que o segundo trimestre deste ano para a mineradora foi de "melhorias sequenciais nos principais objetivos da companhia". Segundo ele, o primeiro pilar foi o da competitividade, alcançada com sua maior produção no segundo trimestre e pelos menores custos de produção.

Outra vertente foi o avanço de seu principal projeto, o S11D, que no futuro adicionará uma capacidade de 90 milhões de toneladas por ano de minério de ferro de alta qualidade. Já há, destacou, 90% de avanço físico na mina e usina e 92% no ramal ferroviário. "Estamos firmes para iniciar a produção no segundo semestre", diz Siani.

O terceiro pilar que apontou melhoria, segundo o executivo, foi a gestão do balanço, com redução da dívida líquida. No segundo trimestre, a dívida líquida da companhia caiu 0,5% em relação ao primeiro trimestre do ano, para US$ 27,508 bilhões. "Conseguimos repagar mais recursos do que tomamos emprestado, mantendo a dívida em trajetória de queda", avalia.

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