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Apólice de dados - parte 2

Novos riscos e novas possibilidades em um mundo conectado

Guy Perelmuter, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2016 | 06h00

O advento dos carros autônomos irá impactar não apenas a indústria automobilística. Na semana passada discutimos as alterações a serem experimentadas pela indústria de seguros de veículos com a progressiva redução no número de seres humanos envolvidos no ato de dirigir.

Em junho de 2015, a KPMG realizou uma pesquisa junto a executivos do setor de seguros nos EUA na qual 42% indicaram acreditar que, nos próximos seis a dez anos, o impacto dos carros autônomos na indústria será relevante. Essa é a situação que vamos vivenciar à medida que esses veículos comecem a substituir os carros com motoristas. O processo não será instantâneo, visto que teremos um período de transição longo no qual carros com e sem motorista irão circular simultaneamente nas ruas e estradas - gerando mais uma camada de complexidade a ser endereçada. Há quem sugira, por exemplo, que sejam criadas faixas de circulação exclusivas para veículos autônomos nas estradas.

Mas onde há inovação também há oportunidade. Os veículos conectados – ou seja, veículos equipados com tecnologia de transmissão e recepção de dados via internet - são capazes de fornecer dados em tempo real que, se utilizados adequadamente (e levando-se em consideração as questões ligadas à privacidade), podem modificar para melhor a forma de precificação e cobrança do seguro. Com esses dados, é possível realizar a análise das regiões nas quais o veículo circula, locais de estacionamento, desgaste dos componentes e padrões de utilização.

Durante essa transição para um mundo dominado por carros autônomos, o modelo de “User based Insurance” (“Seguro Baseado no Usuário”) já é oferecido por alguns provedores. Nesse modelo, o valor pago pelo motorista está diretamente relacionado aos elementos mencionados anteriormente: quilometragem, tempo de uso, velocidade e frequência de acidentes nos locais percorridos, entre outros. Por essa razão, esses seguros são conhecidos como PAYD (“pay as you drive” ou “pague pelo que dirigir”) e PHYD (“pay how you drive”, ou “pague pela forma como dirigir”). Quanto mais cauteloso for o motorista, menor será sua despesa.

De acordo com a firma independente Autonomous Research, a modalidade de veículos responde por mais de 40% dos prêmios pagos às seguradoras. Mas a proliferação dos carros autônomos irá originar situações de complexidade razoável, que também devem ser consideradas no contexto da indústria de seguros: imagine um acidente causado por queda na infraestrutura de telecomunicações (seja por razões técnicas ou por desastres naturais), impedindo os carros de receberem e enviarem dados uns aos outros. Ou um hacker assumir o controle e deliberadamente provocar um acidente. É bem provável que, no futuro, as apólices também contemplem esse tipo de situação.

Semana que vem iremos discutir alguns dos impactos da adoção em larga escala dos carros autônomos para infraestrutura das cidades e estradas de forma geral. Até lá, e que tenhamos todos um feliz ano novo repleto de saúde, realizações e alegrias.

*Investidor em novas tecnologias, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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