JF Diorio/Estadão
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Após 4 meses de negociação, bancos e Odebrecht acertam acordo de R$ 2,6 bi

Termos gerais foram definidos, mas contrato precisa ainda ser formalizado pelo comitê de crédito de algumas instituições financeiras

Renée Pereira, Cátia Luz e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 04h00

Depois de quatro meses de intensas negociações, bancos e Odebrecht acertaram ontem à noite os termos de um acordo para liberar R$ 2,6 bilhões ao grupo. O novo empréstimo será concedido por Bradesco e Itaú, sendo que cada instituição vai conceder 50% do montante em duas parcelas: uma de R$ 1,7 bilhão e outra de R$ 900 milhões, com garantias de ações da Braskem. O acordo, no entanto, tem pontos pendentes e ainda precisa ser formalizado no comitê de crédito de algumas instituições. Além disso, o grupo negocia uma parcela adicional de R$ 500 milhões. 

Quase metade dos R$ 2,6 bilhões – que serão liberados por meio de emissão de debêntures – ficará com a construtora do grupo para pagar uma dívida de R$ 500 milhões vencida em abril e para capital de giro da empreiteira. Apesar de o novo empréstimo ser concedido por Bradesco e Itaú, o acordo todo envolveu Banco do Brasil, Santander e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – credores da empresa. 

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Durante as negociações, os cinco bancos divergiram sobre as condições do acordo. O principal entrave era a prioridade no recebimento das garantias (das ações da Braskem) no eventual caso de a empresa quebrar. Bradesco e Itaú queriam ter a preferência das garantias, já que iam liberar recursos novos para o grupo. O Banco do Brasil, porém, não concordou em abrir mão da prioridade e acabou travando as negociações, o que foi superado pela divisão do empréstimo em duas parcelas. Dessa forma, BB continuou com prioridade nas garantias na primeira tranche do empréstimo.

O acordo, no entanto, vai além da concessão do crédito novo. Nas negociações, o grupo conseguiu alongar cerca de R$ 7 bilhões em dívidas que venceriam nos próximos meses. A medida dá fôlego à empresa, que vive uma grave crise financeira desde que virou o centro da Operação Lava Jato – o maior escândalo de corrupção do País. 

Para conseguir acertar o negócio, a Odebrecht teve de comprometer uma parte expressiva da fatia que detém na Braskem. Hoje sua participação na petroquímica equivale a R$ 14,7 bilhões, sendo que quase R$ 12 bilhões foram dados como garantia do negócio. Dos R$ 7 bilhões de dívidas que tiveram os prazos alongados pelo novo acordo, R$ 3 bilhões passaram a ter garantia dos papéis da Braskem.

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O Estado apurou que, por ora, essa não é uma questão que preocupa os acionistas da empreiteira. Isso porque as ações da Braskem tiveram forte valorização nos últimos meses e têm potencial para novos aumentos. Em 2016, quando fechou a reestruturação da dívida da Agroindustrial, a participação da Odebrecht na petroquímica valia R$ 5 bilhões. Hoje está em R$ 14,7 bilhões e pode subir ainda mais por causa da atual valorização do dólar, segundo fontes ligadas à empresa.

As negociações vinham se arrastando, afirmam fontes próximas às negociações, especialmente por divergências com o BB, que só entrou – de fato – na conversa depois que a Odebrecht deixou de pagar, no fim do mês passado, R$ 500 milhões em títulos vendidos a investidores estrangeiros. Desde o início das negociações, foram muitas idas e vindas. A cada encontro, novas exigências faziam as equipes de reestruturação quebrar a cabeça para acomodar os pedidos das partes no acordo.

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Diante dos impasses e do elevado grau de exigências, o processo provocou um racha dentro da Odebrecht. Uma ala da empresa chegou a defender que a melhor saída seria uma recuperação extrajudicial para renegociar a dívida diretamente com os credores. Mas as incertezas e o risco desse tipo de operação fizeram com que os acionistas mantivessem a conversa para o fechamento de um acordo.

No dia 11 de maio, no escritório da Estáter, assessoria que representa os Odebrecht, depois de sete horas de reunião à base de barrinha de cereais, os representantes da empresa e dos bancos chegaram a um grande acordo de renegociação das dívidas. 

Os últimos dez dias foram de acomodação das exigências das partes, o que provocou novo embate. As maiores divergências foram acertadas ontem e alguns bancos têm reunião para assinatura final do contrato marcada para hoje. Procurados, BB, Bradesco, Itaú e Santander não comentam. BNDES não respondeu o pedido de entrevista. 

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Após todos pontos pendentes serem sanados e acordo referendado nos comitês dos bancos, a empresa poderá tratar de outras questões que ficaram praticamente paradas durante as negociações. Uma delas se refere ao futuro da Braskem, hoje o principal ativo da Odebrecht em parceria com a Petrobrás.

 

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