Após aquisição, Petrobrás quer ultrapassar as metas de vendas da Gas Brasiliano

Distribuidora de gás, que está sendo comprada pela estatal junto à italiana Eni, vende hoje uma média de 560 mil metros cúbicos por dia  

Nicola Pamplona, da Agência Estado,

28 de maio de 2010 | 16h14

A diretora de gás e energia da Petrobrás, Graça Foster, afirmou nesta sexta-feira, 28, que a Petrobrás tem grandes expectativas em ultrapassar as metas de vendas da distribuidora de gás canalizado Gas Brasiliano, que se comprometeu com a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a atingir a venda de 1,2 milhão de metros cúbicos por dia em 2014. A empresa, que está sendo comprada pela estatal junto à italiana Eni, vende hoje uma média de 560 mil metros cúbicos por dia.

"A preocupação que temos em encontrar mercado para nossas reservas (de gás) é um sinal claro de que chegamos à Gas Brasiliano com vontade de desenvolver aquele mercado", comentou a executiva, em entrevista concedida há pouco para falar sobre a operação de compra, orçada em US$ 250 milhões, anunciada ontem. Graça não detalhou os planos da Petrobrás para a empresa, mas adiantou que há grande potencial para geração de energia elétrica na área de concessão da Gas Brasiliano. "É uma área de concessão muito difícil, com grande concorrência com cana-de-açúcar e bioamassa", destacou a executiva, acrescentando que a extensão geográfica da concessão, de cerca de 140 mil quilômetros quadrados, exigirá grandes investimentos.

A compra da Gas Brasiliano foi justificada pela diretora da Petrobrás com números a respeito das vendas de gás da estatal. Segundo ela, uma média de 48,8 milhões de metros cúbicos por dia de gás chegou ao mercado no primeiro trimestre. Desse total, parte foi consumida pela própria estatal e 39,8 milhões passaram pelas distribuidoras. A Petrobrás, porém, só foi responsável pela venda ao consumidor final de 8,8 milhões de metros cúbicos dia - parcela equivalente à sua participação acionária em 20 distribuidoras de gás canalizado. "Isso significa que, de todo o gás que passa pelo Brasil, só vendemos 22,3%", apontou ela. Com a gás Brasiliano, o número sobre pouco, para 23,6%.

De todo modo, Graça acrescentou que a Petrobrás chega à distribuidora paulista com um mercado mais maduro de gás, com maior flexibilidade para desenvolver clientes. Nesse sentido, a empresa já vem realizando leilões de contratos de curto prazo a preços com deságio, modelo que pode ser intensificado na Gas Brasiliano. Além de clientes de sua área de concessão, disse Graça, a distribuidora vai buscar também a atração de clientes de outras distribuidoras. Ela não quis comentar se ainda mantém interesse na compra da Comgás.

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