Após assembleia, metalúrgicos da Embraer decidem suspender a greve

Apesar do fim da paralisação, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou que seguirá insistindo por um aumento maior que o proposto pela fabricante de aeronaves, de 7%

Luciana Collet, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 13h06

Os metalúrgicos da Embraer suspenderam nesta segunda-feira a greve iniciada na última quarta-feira (5), após assembleia unificada, realizada durante a manhã e que, segundo o sindicato da categoria, reuniu cerca de 8 mil trabalhadores de todos os turnos.

Apesar do fim da paralisação, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou que seguirá insistindo por um aumento maior que o proposto pela fabricante de aeronaves. Para isso, vai entrar com ação de dissídio coletivo contra a Embraer para buscar, na Justiça, o reajuste salarial de 10% que reivindicam. A entidade também defenderá a redução da jornada para 40h semanais, estabilidade no emprego e o não desconto dos dias parados durante a greve. O caso será protocolado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) - 15ª. Região, em Campinas, afirmou.

A decisão acontece depois que a Embraer e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reiteraram, na última sexta-feira, 7, a proposta de 7,4% de reajuste salarial, já anteriormente rejeitada na mesa de negociação pelo sindicato - a assembleia de funcionários não chegou a votar a proposta.

No último sábado, a Embraer já havia sinalizado, em nota, que em um cenário de impasse, haveria a possibilidades de solução por via judicial e que neste caso, a discussão se iniciaria no TRT de Campinas, com possível recurso, por qualquer das partes, junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. "É difícil estimar com precisão a duração de um processo desse tipo, mas o histórico indica a probabilidade de muitos anos até sua efetiva conclusão", afirmou a empresa. A Embraer também disse que durante esse período, as empresas que concederam antecipação da data-base por liberalidade (5,3%), como é o caso da companhia, poderão manter esse índice até a decisão final.

Assédio moral x Violência. O sindicato dos metalúrgicos de SJC afirmou, em nota, que desde o início da greve a Embraer assediou seus funcionários para que retornassem ao trabalho, com supervisores e gerentes contatando os trabalhadores e fazendo ameaças para as "possíveis consequências" da continuidade da paralisação. "Essa postura fere a Lei de Greve (artigo 6º, parágrafo 2º), que proíbe às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho", declarou.

A entidade disse que, para evitar que os trabalhadores fossem coagidos durante a assembleia, chegou a propor que a continuidade ou não da greve fosse decidida em plebiscito, mas a proposta não foi aceita pela maioria.

Por outro lado, desde o início da greve a Embraer também denunciou a ação de ativistas na porta da fábrica, que estariam impedindo a entrada de trabalhadores que tinham a intenção de entrar na unidade e comentou sobre a ocorrência de alguns incidentes de agressões e desrespeito aos empregados que manifestaram desejo de entrar para trabalhar. "O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos não colocou em votação a proposta apresentada pela Fiesp e continuou a cercear o direito de ir e vir pelo uso da força física", afirmou, em nota divulgada na semana passada.

Conforme a companhia, a ação dos ativistas na porta da fábrica estavam "impactando operações relevantes da companhia, causando danos para seus clientes e empregados". Até o momento, a Embraer não informou, no entanto, quais seriam as consequências para os resultados da empresa no ano.

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