Alex Silva/Estadão - 4/11/2019
Alex Silva/Estadão - 4/11/2019

Após ataque hacker, Lojas Renner restabelece e-commerce e aplicativo

Pedido de resgate por dados de varejista acabou gerando pânico no mercado, com aumento de preocupação sobre proteção de informações sigilosas de empresas e seus clientes

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2021 | 15h50

A Lojas Renner conseguiu colocar novamente no ar seu site de compras no último sábado, enquanto o aplicativo da rede também voltou a funcionar no decorrer do domingo. A companhia não emitiu mais comunicados desde a última sexta-feira, 20, quando informou que suas equipes continuavam trabalhando para restabelecer o e-commerce após o ataque cibernético sofrido na quinta-feira, que retirou os sistemas do ar.

O ataque, que veio com um pedido de resgate, deixou inoperantes as vendas pela web da empresa por cerca de 48 horas. O caso serviu de alerta para o restante do mercado, uma vez que, segundo especialistas, há a noção de que os negócios nacionais ainda não “acordaram” o suficiente para a gravidade da questão da proteção de dados. 

Segundo levantamento da ISH Tecnologia, a média mensal de ataques a companhias brasileiras é de 13 mil, sendo que 57% são do tipo da ransomware – que pedem resgate em dinheiro. Os resgates também estão mais caros: segundo a empresa Unit 42, os valores cobrados pelos criminosos saltaram 82% no último ano, chegando a US$ 570 mil por ocorrência.

O pouco investimento no segmento evidencia que a preocupação do empresário brasileiro está muito aquém do tamanho do problema. Segundo dados da área de  riscos cibernéticos da corretora Marsh Brasil, do total de orçamento com TI das empresas, só 5% são gastos em cibersegurança. Uma das exceções nessa tendência é o setor financeiro, onde essas despesas sobem, ficando entre 15% e 18%. 

“O risco não está apenas nos dados. Um ataque pode paralisar o sistema operacional da empresa”, diz Marta Schuh, diretora de riscos cibernéticos da corretora Marsh Brasil, em reportagem especial publicada pelo 'Estadão' sobre o tema no último sábado. 

Na mira do Procon

Ainda na sexta-feira, o Procon-SP informou que notificou a Lojas Renner pedindo explicações sobre o ataque cibernético que a empresa sofreu. Segundo o órgão, a companhia deverá informar quais bancos de dados foram atingidos, qual foi o nível de exposição, por qual período o site ficou indisponível e se houve vazamento de dados pessoais de clientes e de outras informações estratégicas até quarta-feira, 25. 

A administração da Lojas Renner afirmou, na mesma tarde, que não havia tido conhecimento sobre qualquer notificação formal do Procon-SP. 

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