Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Após atraso de um ano, Four Seasons promete unidade em SP para 2018

Hotel será o primeiro de uma rede internacional de alto luxo no País; projeto vai disputar a clientela com marcas como Fasano, Unique e Tangará

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2017 | 05h00

Com atraso de um ano por causa da crise, a rede de hotéis de luxo Four Seasons abrirá sua primeira unidade no Brasil, em São Paulo, em julho de 2018. Será o primeiro hotel de alto luxo de rede internacional a se instalar no País e chega com a injeção de recursos pelo fundo Abu Dhabi Investment Authority. O outro projeto da bandeira no Brasil – no Recife –, no entanto, continuará aguardando uma retomada econômica mais sólida para sair do papel.

A construção do empreendimento em São Paulo começou em dezembro de 2014 com previsão para operar em 2017. Diante da recessão, o projeto acabou desacelerando. “No começo do ano passado, decidimos dilatar o cronograma para termos uma abertura mais tranquila. Esperamos que até lá (julho de 2018), o ciclo de investimentos tenha recomeçado e que a atividade econômica esteja gerando demanda (hoteleira)”, afirma Ruy Rego, presidente da Iron House, braço imobiliário do grupo pernambucano Cornélio Brennand, responsável pelo projeto.

A estratégia pode fazer com que o início das operações não seja tão difícil quanto seria agora – de janeiro a julho, a receita por quarto de hotel no País diminuiu 5% ante o mesmo período de 2016, segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil(Fohb). “Agosto foi um pouco melhor. Tudo leva a crer que estamos no início de uma recuperação. Antes, os recuos eram maiores”, diz o consultor Diogo Canteras, sócio da Hotel Invest.

Chegada. O Four Seasons já está em países da América Latina como Argentina, Colômbia e Porto Rico, mas, por aqui, ainda não tinha um parceiro para entrar. Foi o grupo Cornélio Brennand, que atua sobretudo na área de energia, quem o procurou. “Vimos que tinha um descasamento entre oferta e demanda na área de hotéis de altíssimo padrão e procuramos uma marca internacional. Eles (o Four Seasons) também queriam entrar aqui há anos”, conta o presidente da Iron House.

O modelo de negócios da indústria hoteleira brasileira também era um fator que dificultava a instalação da rede. No mercado nacional, os quartos são “vendidos” para investidores, que recebem um retorno quando o hotel está em operação. Em empreendimentos de luxo, o aporte necessário por quarto é muito alto e o retorno, de longo prazo, daí a necessidade de um fundo de investimento, afirma Canteras.

“Essa não era uma questão só para o Four Seasons, mas para qualquer outra marca. Por isso que não tínhamos redes internacionais de luxo no Brasil”, diz o consultor, que explica que bandeiras de alto padrão como Hilton e Hyatt são consideradas um patamar abaixo ao do Four Seasons.

Globalmente, o Four Seasons compete com marcas como Peninsula e Mandarin Oriental. Em São Paulo, deverá concorrer com Fasano, Unique e o recém-inaugurado Palácio Tangará.

Casa. Dos 28 andares do Four Seasons de São Paulo, os últimos 12 serão destinados a apartamentos de moradia fixa, em um modelo que já existe no exterior. “No Brasil, isso não é comum. Mas fizemos uma pesquisa e existe demanda tanto para moradia principal como para segunda moradia”, afirma Rego.

O preço médio do metro quadrado desses imóveis será de R$ 27 mil – mais que o dobro do valor médio da Chácara Santo Antônio, bairro que receberá o empreendimento –, sendo que os menores apartamentos terão 92 metros quadrados.

Segundo Canteras, no exterior, o nome Four Seasons permite que os imóveis sejam vendidos a preços até 50% superiores, e a comercialização desses apartamentos para moradia costuma alavancar a rentabilidade do projeto hoteleiro.

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