Após Copom, investimentos em renda fixa continuam atraentes

Elevação do juro torna mais interessante a aplicação, mas especialistas recomendam que pós-fixados dominem a carteira, pois Selic deve ter novas altas

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

20 de julho de 2011 | 19h18

A alta da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual para 12,50% deve manter os holofotes na renda fixa, pública e privada, que já há alguns meses tem se tornado interessante. A taxa serve de referência nos investimentos de renda fixa pública. No caso do setor privado, as empresas têm de pagar ainda um prêmio sobre o juro para que o investimento compense o risco.

A opinião de que as aplicações em renda fixa se tornarão mais interessantes é unânime. Pela alta ter sido de apenas 0,25 p.p., a renda fixa pós-fixada é a mais sugerida, como as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), negociadas no Tesouro Direto, e os fundos DI. "Temos a maior taxa de juro real do mundo", afirma o professor do Curso de Administração da ESPM, Adriano Gomes. Atualmente, o juro real - Selic descontada a inflação - é de 6,8%.

"A alta de 0,25pp era esperada e mostra ao mercado que a política monetária continua contracionista, mas a fiscal, por outro lado, expansionista ou solta", diz o consultor Silvio Paixão. "Na última reunião, o Banco Central teve uma crise de identidade e passou a escutar mais o mercado. Está subindo o juro em doses homeopáticas. Acredito que neste cenário de inflação ainda pressionada seria preciso ser mais enfático", opina o professor da Brazilian Business School, Ricardo Torres.

"Creio que 80% da carteira de títulos do investidor deveria estar nesse tipo de aplicação e o restante em pré-fixados", diz Torres. No caso de fundos, o professor lembra que é importante que o investidor busque aplicações com baixa taxa de administração, de até 0,5% ao mês.

Os títulos pré-fixados são considerados uma aposta mais arriscada já que o ciclo de alta do juro pode ainda se prolongar. Só é sugerido para os investidores que apostam nisso e querem garantir o alto retorno que estes papéis têm oferecido. Atualmente os títulos do Tesouro Direto chegam a pagar até 12,80% ao ano, dependendo da data de vencimento.

A renda fixa privada também deve se beneficiar desta alta, segundo Gomes. "As empresas necessitam de captação de dinheiro. A emissão de dívidas, como debêntures e CRIs, se tornam interessantes porque as empresas deverão pagar um juro acima da Selic para que o risco compense."

Na Bolsa, volatilidade é o nome do jogo. "Eu entendo que a Bolsa vai continuar volátil entre 55 e 63 mil pontos, mas mais por conta dos fatores externos, dos EUA e Europa, do que pelo juro em alta", opina o consultor Silvio Paixão. "Dificilmente alguma ação irá conseguir bater esse juro próxima a 13%", diz Torres. O Ibovespa acumula queda de mais de 14% no ano.

Câmbio

A alta do juro deve contribuir para manter o dólar em patamar baixo. Com a alta remuneração das taxas no Brasil, a expectativa é de a entrada de moeda americana no País continue firme. "O câmbio está sendo mantido em cerca de R$ 1,55 artificialmente, porque o Banco Central fica intervindo nos leilões de compra. Já deveria estar em R$ 1,40", calcula Torres. "Não sei se o BC deixa o dólar cair mais, mas subir ele não vai", diz Paixão.

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