Denny Cesare / Código19
Denny Cesare / Código19

Após explosão, ANP impede retomada de operação da Replan

Petrobrás havia anunciado retorno parcial na refinaria de Paulínia, atingida por incêndio na segunda-feira, mas órgão regulador barrou planos da estatal

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2018 | 22h44

RIO- A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) comunicou à Petrobrás que não permitirá a retomada da operação da Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, nos próximos dias, como a empresa pretendia. Para voltar a produzir combustível na sua maior refinaria, a estatal terá que aguardar autorização do regulador. A petroleira já tinha comunicado a intenção de religar ao menos metade das máquinas. 

 A Replan está parada desde a madrugada da última segunda-feira passada, quando uma explosão, seguida de incêndio, atingiu três unidades da planta industrial. Não houve feridos, e as causas do acidente ainda estão sendo investigadas. 

A ANP, que acompanha as investigações, informou que o incêndio começou com a explosão de um tanque que faz parte da unidade de tratamento de água ácida. O fogo, então, se espalhou por duas unidades onde o petróleo é processado e transformado em derivados, como gasolina. O incêndio ainda atingiu parte da tubulação principal, que interliga diferentes unidades da refinaria. 

Como as máquinas são duplicadas, a Petrobrás pretendia religar as que não foram atingidas pelo incêndio e, assim, retomar parcialmente a operação. A Replan tem capacidade para 434 mil barris por dia de derivados e estava trabalhando quase à plena carga no dia do acidente. A refinaria responde por quase 20% da produção da estatal. 

“Para o retorno das operações, a Petrobrás deverá encaminhar à agência documentos e informações que comprovem condições de segurança adequadas, e aguardar comunicado de desinterdição das instalações”, informou a ANP. 

Sindicatos representantes dos empregados também se posicionaram contra a retomada, temendo riscos à segurança dos funcionários. “O problema é que várias linhas de tubulação, que passam pelas unidades prejudicadas, sofreram grandes avarias e essa malha é fundamental para o acionamento parcial da refinaria”, afirma o Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro-SP). 

A Petrobrás instaurou comissão interna para investigar o acidente, que contará com a participação de representantes dos empregados. Outra frente de trabalho foi aberta pela ANP, que deu início a um processo administrativo. A estatal não se pronunciou sobre a interdição da Replan pela agência reguladora. No dia anterior, em nota, a empresa havia informado que o abastecimento será garantido por outras refinarias, estoques e, se necessário, importações.

Mais conteúdo sobre:
Petrobrás Replan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.