Após IOF, houve redução no uso de cartão no exterior, diz BC

'As viagens internacionais seguem batendo recordes', afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC

Fabio Graner e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de junho de 2011 | 11h50

O aumento da alíquota do IOF para gastos com cartão de crédito no exterior não alterou a decisão do brasileiro de viajar para outros países. Contudo, houve uma mudança na forma de pagamento das compras, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. "As viagens internacionais seguem batendo recordes. Os gastos em maio foram o maior para o mês. É algo que reflete o maior poder aquisitivo do brasileiro e tem se repetido", afirmou Maciel.

No acumulado de janeiro a maio de 2011, os gastos também são recordes para o período. Por outro lado, houve uma redução na participação do cartão de crédito como forma de pagamento no exterior: os gastos com cartão de crédito correspondiam a 60,7% do total das despesas em abril e caíram para 55% do total em maio.

"Podemos concluir que neste primeiro mês (de vigor da medida) a participação do cartão no pagamento recuou. As viagens continuam registrando números elevados. O brasileiro continua viajando, mas pagando mais em cash do que em cartão de crédito", disse Maciel.

As despesas com viagens internacionais subiram 58,1% em abril ante abril de 2010. Em maio, esse crescimento foi de 43,9%, na mesma base de comparação. Os pagamentos com cartão de crédito aumentaram 33,9% no mês passado, em relação a um ano antes. Em abril, haviam crescido 53,8% ante abril de 2010. "O recuo em base anual é bem mais expressivo no cartão de crédito", afirmou Maciel.

Números

Maciel detalhou mais os dados que mostram a migração dos empréstimos externos para operações de longo prazo, como reflexo da taxação de 6% do IOF para créditos de até dois anos. Segundo ele, nos empréstimos tradicionais, os números do BC mostram que as operações de curto prazo passaram de uma média mensal de US$ 2,322 bilhões no primeiro trimestre para um saldo negativo de 2,172 bilhões em maio - depois de já ter trabalhado no vermelho também em abril. Enquanto isso, as operações de longo prazo passaram de uma média mensal de US$ 1,414 bilhão no primeiro trimestre para US$ 3,297 bilhões em maio.

Considerando operações com emissão de títulos, a média mensal do primeiro trimestre foi de ingressos de US$ 868 milhões, passando para o terreno negativo desde abril. Em maio, o saldo líquido dos créditos de curto prazo com títulos foi negativo em US$ 1,559 bilhão. Nas operações de longo prazo, o movimento foi o seguinte: no primeiro trimestre a média mensal foi de ingressos líquidos de US$ 1,821 bilhão, passando para mais de US$ 5 bilhões em abril e fechando maio com saldo líquido positivo de US$ 3,156 bilhões.

(Texto atualizado às 14h02)

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