Cauê Diniz/B3 - 11/11/2020
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Após IPO, empresas de tecnologia sofrem com fuga de investidores

Das dez empresas “tech” que abriram capital no ano passado, metade já vale menos do que o valor arrecadado em seus IPOs

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2022 | 14h00

Um grupo de empresas de tecnologia que abriu o capital em 2021 está valendo menos na Bolsa brasileira, a B3, do que o volume financeiro movimentado em suas aberturas de capital. O setor se aproveitou de um momento de euforia do mercado, mas foi abatido logo depois pela onda de pessimismo que se seguiu, especialmente a partir de agosto, no mercado brasileiro. 

Das dez empresas “tech” que abriram capital no ano passado, metade já vale menos do que o valor arrecadado em seus IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). Os papéis de companhias como Enjoei (brechó online), Getninjas (plataforma para contratação de serviços), Mobly e Westing (ambas voltadas ao segmento de móveis e decoração) já caíram mais de 70% em comparação com a cotação que apresentavam no momento de suas aberturas de capital, por exemplo. 

No caso da Getninjas, uma plataforma para a contratação de serviços, o valor de mercado está até mesmo abaixo do total guardado em seu caixa. O fenômeno é uma consequência de uma combinação de fatores que afugentou os investidores dessa classe de ativos e uma aversão ao risco generalizada nos mercados.

Hoje, a Getninjas está com um valor de mercado de R$ 264 milhões e tem R$ 308 milhões em caixa, conforme seu último balanço. Desde sua abertura de capital, em maio de 2021, a ação perdeu 75% do valor. “Quase todas as empresas de baixa liquidez sofreram. As techs sofreram em dobro”, disse Eduardo L’Hotellier, presidente e fundador da Getninjas. 

Procuradas, as demais empresas que enfrentam fortes quedas na Bolsa brasileira não comentaram a questão.

CORREÇÃO

Segundo o sócio da consultoria em inovação Spiralem, Bruno Diniz, a maior volatilidade e a tendência de aumento de juros básicos têm impacto negativo sobre o custo de crédito. Isso afeta ainda mais as startups, que consomem muito capital para crescer.

“Temos de lembrar que a avaliação dessas empresas ocorreu no momento mais exaltado do mercado, com expectativas muito altas. Na época, alguns analistas já apontavam que os preços poderiam estar inflados”, diz

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