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Grupo Avenida é vendido para gigante sul-africana Pepkor após não conseguir fazer IPO

Companhia desembolsou R$ 1,1 bilhão por 87% das ações da varejista; esse valor também inclui uma injeção de capital no negócio; fundo Kinea deixa operação após dez anos

Fernanda Guimarães e Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2022 | 10h40

Uma das líderes do varejo nas regiões Centro-Oeste e Norte do País, Grupo Avenida fechou acordo para vender o controle de sua operação para a gigante do varejo vestuário Pepkor, da África do Sul. A empresa sul-africana desembolsou US$ 208 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) em dinheiro pela compra de 87% das ações totais da empresa . Essa cifra também inclui uma injeção de capital. 

A venda envolveu a totalidade das ações detidas pelo fundo Kinea, sócio da empresa desde 2012, e a maior parte da participação da família Caseli, fundadora da companhia. Nessa nova configuração, a família Caseli ficou com 13% das ações. Rodrigo Caseli, filho do fundador, disse ao Estadão que continua presidente da companhia e seu irmão, Christian Caseli, permanece  no Conselho da empresa, ambos pelos próximos sete anos.

A transação ocorre após o grupo não ter conseguido realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano passado por conta da turbulência do mercado. Outras empresas de varejo que tentaram o IPO em 2021 – sem sucesso – estão em busca de uma operação como a feita pelo Grupo Avenida, como a Privalia, segundo fontes.

O Grupo Avenida tem duas redes de lojas – sendo 110 unidades da Lojas Avenida e 20 da Giovanna Calçados, com presença em 11 Estados. A varejista foi fundada em 1978 por Aílton Caseli, em Cuiabá.  

“Temos um enorme potencial para expandir rapidamente os negócios no Brasil, aumentando o número de lojas e a receita da empresa, além de uma grande sinergia de culturas e valores do Grupo Avenida com a Pepkor”, disse o presidente da empresa, Rodrigo Caseli.

O executivo lembra que o plano da empresa, na época em  que pretendia fazer o IPO, era abrir mais 170 lojas. "O que eles  (Pepkor) pensam é numa expansão muito forte no Brasil, mas ainda não temos o plano", disse Caseli, fazendo referência ao porte nova sócia. A intenção, segundo executivo, é expandir nos Estados das regiões Norte e Centro-Oeste, onde a companhia está abrindo lojas em cidades menores. 

Caseli disse que a Pepkor tem escritório em Xangai, na China, com 250 funcinários, e 90% dos itens que vende são importados. "Hoje, no Grupo Avenida, só 8% da nossa compra é de artigos importados da Ásia", contou. O cliente das lojas do Grupo Avenida é o brasileiro das classes C e D, de menor renda.

Gigante sul-africana

A Pepkor é um gigante na África do Sul, com mais de 5,5 mil lojas em dez países e valor de mercado de US$ 5,3 bilhões e tem trabalhado ao longo dos últimos anos em sua expansão internacional. Em 1998, a empresa comprou uma rede na Polônia com 14 lojas e hoje tem 3,5 mil pontos de venda espalhados pela Europa, contou Caseli.

O Grupo Avenida registrou receita líquida de R$ 980 milhões em 2021. A empresa, apesar não ter capital aberto, teve de abrir seus principais números ao mercado por conta da tentativa de engatar a estreia na Bolsa. A Avenida conseguiu crescer na última década após a capitalização da Kinea, que levou cerca de 20% da empresa por R$ 250 milhões, há dez anos.

Para a Pepkor, o acordo marca a entrada em um dos principais mercados do mundo, apesar do ritmo lento de retomada da economia brasileira. “Entramos em uma nova praça com enorme potencial de crescimento. A Pepkor provou ser bem-sucedida na expansão internacional de seus negócios no passado. Todos estão ansiosos para atuar no mercado de varejo brasileiro em parceria com a equipe de gerenciamento do Avenida”, disse o presidente da Pepkor, Leon Lourens, em nota. 

Desafios

Especialista no setor de varejo e sócio da consultoria Varese Retail, Alberto Serrentino vê o negócio com cautela, visto que muitos grupos internacionais que já tentaram ingressar no mercado brasileiro para criar um negócio de grande porte no varejo brasileiro, sem sucesso. “O mercado de moda de massa no Brasil é muito competitivo e complexo. O Brasil tem uma realidade sazonal totalmente atípica”, diz. Ele aponta que há muita dificuldade de grupos estrangeiros em acertarem o "timing" das coleções e de encontrarem sinergias com os negócios que possuem em outros países.

Por outro lado, Serrentino diz que, a depender da governança estabelecida com o novo controlador, há espaço para o Grupo Avenida crescer, visto que ainda não atua em todas as regiões e há um espaço deixado por outras empresas que não resistiram à crise. “Se eles estão capitalizando a Avenida, para crescer com uma estratégia brasileira, de um negócio brasileiro, aí a Avenida pode ganhar fôlego. Espaço, em tese, existe”, afirma.

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