Após pagamento de juros, governo registra déficit de R$ 16,1 bi em agosto

Déficit nominal cresceu 35,8%  na comparação com o mês anterior; no acumulado do ano, País registra déficit equivalente a 2,52% do PIB 

Eduardo Cucolo e Célia Froufe, da Agência Estado ,

28 de setembro de 2012 | 11h16

BRASÍLIA - O setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 16,121 bilhões em agosto, acima dos R$ 11,866 bilhões verificados em julho, informou o Banco Central nesta sexta-feira. Aumento foi de 35,8%.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o déficit ficou em R$ 17,101 bilhões, houve queda.

No mês passado, o governo central registrou déficit nominal de R$ 8,130 bilhões. Já os governos regionais tiveram um resultado negativo de R$ 8,189 bilhões. As empresas estatais tiveram superávit nominal de R$ 198 milhões no mes passado.

No acumulado do ano ate agosto, o déficit nominal do setor publico consolidado soma R$ 73,355 bilhões (2,52% do PIB). Em 12 meses encerrados em agosto deste ano, o déficit nominal soma R$ 117,651 bilhões (2,72% do PIB).

Mais cedo, o prédio do Banco Central foi esvaziado em função de um alerta de incêndio. Por esse motivo, entrevista coletiva sobre os dados divulgados sofreu atraso.

Superávit primário

O setor público consolidado registrou em agosto R$ 2,997 bilhões de superávit primário. O resultado do superávit primário consolidado em agosto ficou abaixo do piso das estimativas apuradas no levantamento do AE Projeções, de R$ 3,2 bilhões a R$ 7,8 bilhões.

Segundo o BC, a maior parte do superávit do mesmo passado foi gerada pelos governos regionais, que terminaram o período com saldo positivo de R$ 1,483 bilhão. O governo central contribuiu com R$ 1,173 bilhão e as estatais com R$ 341 milhões.

O BC informou também que no acumulado do ano ate agosto, o superávit primário do setor publico foi de R$ 74,225 bilhões, o equivalente a 2,56% do Produto Interno bruto (PIB). Em igual período de 2011, essa fatia estava em 3,56%. Ja no acumulado dos últimos 12 meses, encerrados em agosto, o superávit primário diminuiu para R$ 106,395 bilhões, o que representa 2,46% do PIB. Ate julho, o primário somava R$ 107,960 bilhões ou 2,51% do PIB.

Juros

O setor público consolidado gastou com juros R$ 19,118 bilhões em agosto, segundo o Banco Central. Houve alta em relação ao gasto de R$ 17,435 bilhões registrado em julho deste ano e queda na comparação com agosto do ano passado, quando a despesa foi de R$ 21,663 bilhões.

O Governo Central teve no mês passado um gasto com juros de R$ 9,303 bilhões. Os governos regionais gastaram R$ 9,672 bilhões. Já as empresas estatais tiveram gastos de R$ 143 milhões.

No acumulado do ano, o gasto com juros no setor público consolidado somou R$ 147,580 bilhões (5,09% do PIB). Nos 12 meses encerrados em agosto deste ano, o gasto com juros soma R$ 224,046 bilhões (5,17% do PIB).

Segundo o BC, o gasto com juros no ano está 0,82 ponto porcentual do PIB abaixo do verificado no mesmo período do ano anterior. Essa queda foi influenciada pela redução da taxa Selic e pela variação menor do IPCA acumulado no ano.

Dívida

A dívida líquida do setor público consolidado teve ligeira alta de 35% em julho para 35,1% em agosto. A dívida do governo central, governos regionais e empresas estatais terminou o mês passado em R$ 1,522 trilhão.

Na comparação com dezembro do ano passado, a dívida líquida apresenta uma redução de 1,3 ponto porcentual do PIB. De acordo com o BC, o superávit primário no período contribuiu para essa diminuição com 1,7pp do PIB, enquanto o crescimento do PIB corrente ajudou a diminuir o endividamento em 1,6pp.

A desvalorização cambial, de 8,6% no acumulado de 2012 até agosto, auxiliou em 1,3pp para a queda na relação dívida/PIB. Em sentido contrário, a apropriação de juros elevou o endividamento em 3,4 pontos porcentuais do PIB, no mesmo período.

O BC informou ainda que a dívida bruta do governo geral registrou leve queda de julho (57,6% do PIB) para agosto (57,5% do PIB). A dívida bruta encerrou o mês passado em R$ 2,49 trilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.