Após pagar juros, governo tem déficit de R$ 4,6 bi em outubro

O déficit nominal foi menor do que os R$ 12,254 bilhões verificado em setembro deste ano

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

30 de novembro de 2012 | 10h53

BRASÍLIA - Em outubro, o governo conseguiu economizar um superávit primário de R$ 12,398 bilhões, mas, após pagar os juros de sua dívida, o governo teve déficit nominal de R$ 4,607 bilhões, informou o Banco Central. O déficit foi menor do que os R$ 12,254 bilhões verificado em setembro deste ano e do que os R$ 6,322 bilhões de outubro do ano passado. As contas representam o total do dispêndio do Governo Central, governos regionais e empresas estatais, exceção da Petrobrás e Eletrobras.

Em outubro deste ano, o governo central registrou superávit nominal de R$ 247 milhões, enquanto os governos regionais registraram déficit nominal de R$ 4,586 bilhões. Já as empresas estatais tiveram déficit de R$ 268 milhões no mês passado. 

No acumulado do ano até outubro, o déficit nominal do setor público consolidado soma R$ 90,215 bilhões, o que equivale a 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos últimos 12 meses encerrados em outubro deste ano, o déficit nominal soma R$ 119,019 bilhões, ou 2,72% do PIB. 

Superávit primário

O superávit primário do setor público consolidado (R$ 12,398 bilhões) ficou acima da mediana estimada, após levantamento do AE Projeções com o mercado financeiro, de R$ 11,750 bilhões, e dentro do intervalo previsto, que ia de R$ 10,4 bilhões a R$ 14,7 bilhões.

Segundo o BC, a maior parte do superávit do mês passado foi gerada pelo governo federal, que encerrou o período com saldo positivo R$ 12,945 bilhões. O Governo Central contribuiu com R$ 10,061 bilhões e os governos regionais, com R$ 2,412 bilhões. Já as empresas estatais registraram déficit de R$ 75 milhões.

A autoridade monetária informou também que no acumulado do ano até outubro, o superávit primário do setor público foi de R$ 88,214 bilhões, o equivalente a 2,42% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em igual período de 2011, essa fatia ficava em 3,47% do PIB. Este ano, o compromisso do setor público é economizar R$ 139,8 bilhões para pagar o juro da dívida. Mas o governo já informou que usará os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para atingir seu objetivo.

No acumulado dos últimos 12 meses até outubro, o superávit primário voltou a diminuir para R$ 98,352 bilhões, o que representa 2,25% do PIB. Até setembro, o superávit primário em 12 meses era de R$ 99,889 bilhões ou 2,30% do PIB.

Gasto com juros

O setor público consolidado gastou R$ 17,005 bilhões com juros reais em outubro. Houve uma alta em relação ao gasto de R$ 13,844 bilhões registrado em setembro de 2012, mas uma redução na comparação com outubro do ano passado, quando o total de gastos foi de R$ 20,258 bilhões.

O Governo Central teve um gasto com juros de R$ 9,813 bilhões em outubro. Já os governos regionais registraram uma despesa de R$ 6,998 bilhões e as empresas estatais, de R$ 194 milhões. No acumulado do ano até o mês passado, o gasto com juros do setor público consolidado somou R$ 178,430 bilhões, o equivalente a 4,89% do PIB. Nos últimos 12 meses encerrados em outubro, a despesa chega a R$ 217,371 bilhões, ou 4,97% do PIB.

"A redução nos juros acumulados foi influenciada pela trajetória de queda da Selic e pela menor variação do IPCA, indicadores aos quais estão vinculadas parcelas significativas da dívida pública", trouxe a nota para a imprensa do BC. Sobre o aumento dos gastos com juros na passagem de setembro para outubro, o BC explicou que o maior número de dias úteis no mês passado contribuiu para esse movimento.

Dívida líquida

A dívida líquida do setor público caiu de 35,3% do PIB em setembro para 35,2% do PIB em outubro. A dívida do governo central, governos regionais e empresas estatais, terminou o mês passado em R$ 1,541 trilhão.

Na comparação com dezembro do ano passado, a dívida líquida apresenta uma redução de 1,2 ponto porcentual do PIB. O superávit primário no ano de 2012 contribuiu para uma redução de 2 pontos porcentuais do PIB. O crescimento do PIB ajudou a reduzir a dívida em mais 1,9 ponto porcentual. Já a desvalorização cambial de 8,3% em 2012, reduziu o endividamento em 1,2 ponto porcentual. O ajuste por conta da cesta de moedas que compõe a dívida externa líquida ajudou a diminuir o indicador em mais 0,1 ponto porcentual. No sentido contrário, a apropriação com juros elevou o endividamento em 4,1 pontos porcentuais do PIB, nos dez meses deste ano.

O BC informou ainda que a dívida bruta do governo geral encerrou o mês passado em R$ 2,590 trilhões, o que representa 59,2% do PIB. A dívida bruta apresentou aumento em relação aos 58,5% do PIB verificados em setembro deste ano e na comparação com 54,2% do PIB no final do ano passado. 

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