Após precificar oferta de ações, Oi despenca no pregão

Um dia depois de precificar sua oferta de ações, os papéis já negociados em Bolsa da operadora de telefonia Oi despencaram no pregão de hoje: as ações preferenciais apresentaram queda de 10,97%, cotadas em R$ 2,11 e as ordinárias recuaram 11,11%, em R$ 2,24. A forte queda é explicada pelo deságio do valor das ações no âmbito de sua oferta subsequente, fundamental para concretizar a sua fusão com a Portugal Telecom.

FERNANDA GUIMARÃES E MARINA SALLOWICZ, Agencia Estado

29 de abril de 2014 | 21h04

Dessa forma, o dia foi de ajuste dos papéis, que buscaram o preço definido na oferta, de R$ 2,00 a PN e R$ 2,17 a ON. As novas ações, provenientes do processo, começam a ser negociadas hoje na BM&FBovespa.

Após a oferta, a PT passou a deter participação direta e indireta (via outras empresas) na Oi de 38,25% e, apenas direta, de 36,7%, sem considerar o lote de ações suplementar que ainda não foi exercido. A fatia indireta era de 21,14%, sendo que não havia direta. O FIA terá a segunda maior participação direta, com 6,45%. O fundo é gerido pelo BTG Pactual e formado também pelos grupos Andrade Gutierrez e Jereisatti e pela Fundação Atlântico (fundo de pensão dos funcionários da Oi). O BNDES subiu a fatia direta e indireta de 3,52% para 5,21%, sem as ações suplementares.

O BNDES apresentou ordem de investimento de R$ 749,8 milhões, a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) de R$ 100 milhões, a Petros (fundo da Petrobrás) de R$ 50 milhões, a Funcef (fundo da Caixa Econômica Federal) de R$ 10 milhões. A companhia que surgirá da fusão, a CorpCo, terá composição acionária diferente, com a extinção da Portugal Telecom e da Telemar Participações. Os acionistas que fazem parte delas passarão a ter participação direta na empresa de capital pulverizado.

Deságio

Segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, no começo de abril, o sucesso da oferta estava desde o início ancorado na expectativa de que haveria um grande deságio. Esse fato explica, por exemplo, a forte demanda pelo aluguel das ações da Oi, que provocou o preço desta operação subir mais de 200% desde o início da oferta até segunda, 28, data em que o papel no âmbito da oferta foi precificado, segundo fontes de mercado. "Quem tinha o papel, vendeu e quem não tinha passou a apostar na queda, alugando a ação para vender", disse uma das fontes.

Investidores passaram a alugar o papel para vender em seguida, para recomprar a ação e refazer a posição na oferta. Quem alugou a ação e vendeu no dia 1 de abril recebeu R$ 2,88 (cotação da PN no fechamento naquele dia) e se comprou na oferta pagou, assim, R$ 2,00. O valor do aluguel foi o custo da operação.

A oferta da Oi movimentou R$ 6,25 bilhões no mercado, com a venda de ações. Outros R$ 2 bilhões vieram do fundo FIA, gerido pelo BTG Pactual, coordenador líder da oferta, e mais R$ 5,71 bilhões de ativos da PT, num total de R$ 13,95 bilhões. Segundo fontes, a maior participação na oferta foi de investidores americanos, com pouco mais de 40%. Em seguida, aparecem os europeus, com porcentual um pouco abaixo de 40%. Considerando todos os estrangeiros, a fatia ficou entre 80% e 85%, com o restante vindo do Brasil.

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