Após prejuízo, Petrobrás diz que foco é na rentabilidade, e não na produção

Estatal quer cobrir gastos com passivos financeiros e investimentos com a própria receita, sem recorrer a captações; incertezas do momento, porém, ainda preocupam investidores: as ações da companhia fecharam nesta sexta-feira em queda de até 4,64%

Antonio Pita e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 23h17

RIO - Após anunciar o terceiro prejuízo trimestral seguido, a Petrobrás deverá priorizar a rentabilidade, com corte de 5% nos investimentos neste ano, sobre a produção. A estratégia da diretoria é garantir que a receita própria cubra os gastos com passivos financeiros e investimentos, sem captações. A equação pode reverter o alto endividamento da estatal - o tempo de recuperação é a incógnita que preocupa o mercado financeiro. 

“É muito difícil prever (esse prazo)”, reconheceu o diretor financeiro, Ivan Monteiro, em teleconferência a analistas. “Em vez de focar na produção, a diretoria foca na rentabilidade e liquidez (...) começando pela maior disciplina de capital, pela redução dos custos ou da natureza do negócio. O conjunto de iniciativas deve acelerar ao longo de 2016 e levará a esse horizonte que tanto desejamos.” 

De janeiro a março, a companhia teve saldo de R$ 2,4 bilhões entre o lucro operacional sobre o total de investimentos. Com o fluxo de caixa positivo, o saldo é uma marca da reengenharia financeira feita pela gestão de Aldemir Bendine. A equipe deve permanecer na empresa no curto prazo. Segundo fontes, a sinalização foi dada pelo presidente em exercício, Michel Temer. 

As incertezas do momento, entretanto, ainda alarmam os investidores. As ações da companhia fecharam em queda, nesta sexta-feira, entre 3,37% e 4,64%. Analistas criticaram a “enorme quantidade de potenciais passivos” financeiros relativos à dívida da companhia, que chegou a R$ 450 bilhões. 

“Despesas com juros e variações cambiais têm, trimestre após trimestre, ofuscado os bons resultados operacionais”, avalia relatório do banco Credit Suisse, que destacou alta de 55% no prejuízo financeiro do trimestre. “O saldo de caixa das operações superou os investimentos no período, mas não o suficiente para cobrir também os pagamentos de juros”, completa.

O aperto de capital da companhia começa com a revisão em 5% dos investimentos neste ano, somando US$ 19 bilhões. No primeiro trimestre, a redução de desembolsos chegou a 14%. Na estimativa para 2017 e 2018, a estatal planeja caixa de US$ 20 bilhões com visão “conservadora” para novas captações. 

“Uma componente importante que pode acelerar o processo de redução do endividamento e contribuir para que a geração de caixa cubra todos os investimentos, inclusive o serviço da dívida, é o desinvestimento”, reforçou Ivan Monteiro. Ele reforçou a crença na meta “desafiadora” de vendas - até agora, a estatal arrecadou 10% da meta de US$ 14 bilhões. 

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