Após problemas, TIM investe R$ 1 bi em rede

Operadora fechou contrato com Ericsson, Huawei e Nokia Siemens para antecipar crescimento da demanda por voz

Renato Cruz, de O Estado de S. Paulo,

17 de junho de 2011 | 23h00

A TIM, terceira maior operadora móvel do País, tem enfrentado problemas por conta do crescimento acelerado. Em abril, foi a empresa celular com mais reclamações registradas na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ela chegou a ter as vendas suspensas pela Justiça em alguns Estados, por conta da falta de qualidade do serviço.

Diante desse cenário, a TIM decidiu investir R$ 1 bilhão em sua rede de acesso, fechando contratos de três anos com a Ericsson, a Huawei e a Nokia Siemens Networks. Apesar disso, a empresa disse que não se trata de uma reação ao descontentamento de consumidores.

"A ampliação da rede é preventiva", disse Marco Di Costanzo, diretor de rede da TIM Brasil. "Não é uma reposta ao que aconteceu em algum Estado."

Os recursos já eram previstos no plano de investimentos anunciado pela operadora, que devem somar R$ 8,5 bilhões de 2011 a 2013. A forma de contratação, no entanto, é diferente do que a empresa vinha fazendo até aqui.

"Ainda existe demanda reprimida de voz", afirmou o executivo. "Quando as pessoas reclamam da rede de uma operadora, não é a rede que é ruim. É o tráfego que cresce mais rápido que a capacidade da rede. Não vamos mais correr atrás da demanda de forma reativa."

Os novos contratos têm como objetivo melhorar o serviço de voz. Segundo Di Costanzo, serão substituídos 8,3 mil estações radiobase (equipamentos que vão na antena da rede de celular), o que equivale a 75% da rede atual de segunda geração (2G). Além disso, serão instaladas 1,8 mil novas estações.

"A nossa rede GSM já tem 10 anos", disse o diretor da TIM. "Estamos atualizando os equipamentos, o que garantirá um aumento de 20% no raio de cobertura." Di Costanzo disse que os fornecedores instalarão a capacidade máxima em cada antena, e a TIM será capaz de ativar essa capacidade por meio de comandos de sua central de operações. "A parte mais difícil, que é instalar os equipamentos em campo, já terá sido feita."

A TIM espera, com o investimento, ter uma capacidade instalada equivalente ao dobro do tráfego projetado para 2011. "Apesar de o contrato ser de 3 anos, metade dos equipamentos será instalada ainda este ano", explicou Di Costanzo.

Suspensão. Na semana passada, a Justiça proibiu que a empresa vendesse chips no Ceará, até que fosse capaz de dar uma resposta à queda de qualidade do serviço. No Rio Grande do Norte, a TIM chegou a ser impedida de atender novos clientes por 48 horas, também por problemas de qualidade.

"No Nordeste, o problema é menos na rede de acesso e mais na de transporte", disse Di Costanzo. "Temos dificuldade em conseguir os links de fibras ópticas que conectam as antenas. A Oi e a Embratel não têm sido capazes de nos atender na velocidade que precisamos."

Apesar de ser a TIM ser dona da Intelig, Rogerio Takayanagi, diretor de marketing da operadora, afirmou que ainda depende muito da contratação de linhas no atacado. "Temos muitas antenas instaladas que faltam o link para começarem a funcionar. A agência reguladora precisa liberalizar o atacado, para que as concessionárias parem de ficar administrando o monopólio."

Panes. Em pouco mais de um mês, a Intelig registrou três panes, que deixaram clientes sem telefonia e internet por várias horas. Segundo Di Costanzo, o problema nos três casos foi rompimento da rede óptica em dois lugares diferentes, o que fez com que o serviço fosse interrompido apesar da redundância.

"Resolvemos tomar medidas corretivas", disse. "Em alguns trechos, ter redundância não basta. Teremos tripla redundância e vamos reduzir o tempo de resposta para manutenção."

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