Após recorde de 2007, Porto de Paranaguá investe em ampliações

A expectativa é que em 2008 a movimentação cresça ainda mais

Beth Moreira, da Agência Estado,

17 de janeiro de 2008 | 20h59

O ano de 2007 foi recorde para os portos de paranaenses de Paranaguá e Antonina. Juntos os terminais movimentaram 38,22 milhões de toneladas de carga, o que representa um crescimento de 17% em relação ao registrado em 2006. Desse total 25,97 milhões de toneladas foram de cargas que seguiram para exportação (alta de 8%) e 12,24 milhões de toneladas importadas (alta de 44%). O bom desempenho, na avaliação do superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Eduardo Requião, reflete mudanças na gestão implantadas desde 2003 e investimentos de cerca de R$ 100 milhões em melhorias realizados no período. "O ano de 2007 consolida todas as ações que fizemos nos últimos anos. Estamos movimentando quase metade do que passa pelo porto de Santos apesar de termos um espaço físico muito menor", compara. Requião lembra que, quando assumiu a administração dos portos, em 2003, os terminais eram deficitários. Segundo ele, só em ações trabalhistas, Paranaguá e Antonina tinham uma dívida de cerca de R$ 170 milhões. "Hoje temos um caixa de R$ 320 milhões, o que permite a realização de melhorias constantes nos terminais", destaca. A expectativa é que em 2008 a movimentação cresça ainda mais, com destaque para cargas como fertilizantes, milho, congelados e automóveis. Requião destaca que a Appa está investindo R$ 9,5 milhões na construção de um novo armazém público para fertilizantes com capacidade para 30 mil toneladas e na instalação de uma esteira transportadora para ligar a faixa portuária ao complexo, que permitirá elevar a capacidade de escoamento em até 50%. Para atender ao aumento esperado no volume de granéis como milho, farelo e soja, a Appa está investindo R$ 39,4 milhões para construção de um novo silo graneleiro com capacidade estática para 107 mil toneladas. "Com o novo armazém vamos ampliar a capacidade de armazenagem para grãos no porto de Paranaguá, que hoje é de 1.426.500 toneladas estáticas", destaca. Requião destaca ainda o projeto para construção de um novo pátio de veículos de 30 mil metros quadrados. A obra, orçada em R$ 2 milhões, está em fase de licitação e se somará aos quatro pátios já existentes no porto de Paranaguá. "Com esse novo pulmão teremos capacidade para movimentar até 250 mil veículos por ano", afirma. Mais investimentos Outro investimento em andamento é a construção de um terminal de congelados no cais comercial do Porto de Paranaguá. A obra, que custará R$ 16 milhões, está em fase de projeto e terá capacidade estática para armazenar 16 mil toneladas de carga congelada. O objetivo é ampliar as exportações de carnes de aves, bovinos e suínos pelo Estado. Outra novidade para 2008 é o projeto que prevê a criação de um distrito industrial alfandegado, uma obra orçada em R$ 18 milhões e que ainda está em fase de projeto. O distrito será dividido em lotes que serão licitados e deverão abrigar um total de 32 empresas. As empresas que se instalarem nesses espaços contarão com facilidades, como isenção de impostos para produtos exportados e vantagens dos regimes aduaneiros especiais previstos pela legislação. "Vamos disponibilizar até julho oito espaços em Paranaguá e outros seis em Antonina que funcionarão como a Zona Franca de Manaus", explica. Segundo o superintendente a Appa já recebeu cerca 32 pedidos de solicitação de empresas das áreas têxtil, materiais para energia eólica, alimentos, autopeças e motocicletas. Requião lembra ainda que a Appa inaugurou em outubro do ano passado o primeiro terminal público de álcool do Brasil, com sete tanques com capacidade de armazenamento de 37,5 metros cúbicos de combustível, o que permitirá que até 15 navios possam ser carregados por mês em Paranaguá. Já temos contratos com 12 produtores do Paraná, mas poderemos atender também outros Estados", afirma. O terminal, que recebeu investimentos de R$ 20 milhões, foi erguido no bairro Vila da Madeira numa área de 32 mil metros quadrados e conta com área de 33 mil metros quadrados disponíveis para futura ampliação e construção de novos tanques. O terminal é ligado ao píer público por meio de dutos de aço instalados paralelamente à linha de embarque da Petrobras. Balanço Só no porto de Paranaguá foram movimentadas 8,54 milhões de toneladas de carga geral em 2007, com alta de 9% em relação a 2006. O destaque ficou por conta dos congelados, cuja movimentação totalizou 1,46 milhões de toneladas (crescimento de 27%), papel, com um volume de 246,45 mil toneladas (+18%) e açúcar ensacado, com um volume de 290,5 mil toneladas (+7%). Paranaguá movimentou ainda no ano passado 25,15 milhões de toneladas de granéis sólidos, o que representa uma evolução de 24% em relação a 2006. Os melhores desempenhos no fluxo de exportação ficaram por conta da soja (4,49 milhões de toneladas e crescimento de 11%), farelo (5,59 milhões de toneladas e alta de 11%) e milho (4,72 milhões de toneladas e alta de 41%). No fluxo de importação tiveram destaque os embarques de cevada, com 189,78 mil toneladas e crescimento de 105%; fertilizantes com 7,38 milhões de toneladas e expansão de 53%; além do trigo, com uma movimentação de 202,10 mil toneladas e alta de 109%. Entre os destaques de exportação do porto de Antonina estão os embarques de ferro, que totalizaram 220,20 mil toneladas, com crescimento de 51% sobre 2006. No fluxo de importação o setor de fertilizantes movimentou 203,05 mil toneladas, com expansão de 27% sobre o ano anterior. O terminal registrou ainda recorde na movimentação de veículos, com um volume de 164,87 mil unidades, o que representa uma expansão de 56%. Do total movimentado pelo porto 105,32 mil unidades seguiram para exportação (alta de 33%) e 59,54 mil unidades para importação (alta de 126%).

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