FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Após reestruturação, Gol fica menor, mas espera fechar o ano no azul

Apesar de registrar prejuízo operacional, aérea fechou o 2º trimestre com lucro líquido de R$ 309 milhões, em função da queda do dólar; companhia, que chegou a ter a viabilidade financeira questionada, reduziu endividamento e devolveu 20 aviões

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 05h00

Depois de ter a viabilidade financeira questionada pelo mercado, a Gol informou na segunda-feira, 15, que reduziu seu endividamento e projetou que fechará 2016 no azul. As perspectivas positivas foram divulgadas após a companhia finalizar uma severa reestruturação. A aérea reviu sua dívida, frota e oferta neste ano. O resultado é uma empresa com 20 aviões a menos, uma quantidade menor de voos e destinos atendidos, preços maiores e que promete voltar a ser lucrativa ainda no curto prazo.

“Em 2015, a realidade da aviação brasileira mudou. E tivemos de nos adequar a um mercado com demanda menor”, disse ao Estado o presidente da Gol, Paulo Kaninoff.

Nos resultados do segundo trimestre, a Gol registrou margem operacional negativa em 7,2%. Foi melhor que o resultado do segundo trimestre de 2015, de -12,3%. Apesar do prejuízo operacional, a empresa fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 309 milhões, favorecido por ganhos com a variação cambial.

O segundo trimestre é, tradicionalmente, um período de fracos resultados para as empresas aéreas brasileiras, já que concentra as vendas de baixa temporada, explicou Kakinoff. Ele ressalta que, no primeiro semestre, a Gol tem margem operacional positiva de 1,6%.

“Não estamos queimando caixa. A empresa já atingiu o breakeven (quando os custos empatam com as receitas)”, disse, em entrevista ao Estado. A projeção da empresa é fechar o ano com margem operacional entre 4% e 6%.

Kakinoff atribui o resultado ao processo de redução de oferta, à economia com juros e a uma recuperação nos preços das passagens. O yield médio (indicador de preço por quilômetro voado) aumentou 13,8% no primeiro semestre do ano. “A nossa receita subiu neste ano. É muito importante em um contexto em que a demanda está fraca e cortamos voos”, disse.

Finanças. A Gol se viu obrigada a repensar suas finanças quando sua alavancagem financeira chegou a 11 vezes sua capacidade de geração de caixa em dezembro de 2015. A empresa contratou a consultoria financeira PJT Partners para pensar em alternativas que reduzissem o seu endividamento.

Uma das opções foi a oferta de troca de títulos de dívida em dólar sem garantia por outros com garantia, com deságio médio de 68%. A empresa conseguiu uma adesão de 20% dos credores e um alívio de R$ 327 milhões na sua dívida.

A Gol anunciou uma redução de dívida de R$ 914 milhões no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre fiscal. O alívio veio do pagamento de dívidas bancárias e da devolução de aeronaves em arrendamento financeiro, além da própria variação cambial, que reduziu as obrigações da companhia. Essa conta poderá chegar a R$ 1,5 bilhão, considerando também os efeitos da troca de oferta e da venda de outras aeronaves, que foram anunciadas em julho e só deverão entrar no balanço no terceiro trimestre.

A empresa ainda poderá diminuir sua dívida em pelo menos R$ 1,2 bilhão com a devolução de cerca de 15 aeronaves que estão em leasing operacional, segundo estimativas de mercado. No fim de junho, o índice de alavancagem financeira da Gol caiu para 7,6 vezes sua capacidade de geração de caixa.

Além de reduzir o seu endividamento, a empresa reforçou o seu caixa, um movimento que também está em curso pelas demais concorrentes latinas. A Gol fechou a venda antecipada de R$ 1 bilhão em passagens aéreas para o Smiles, seu programa de fidelidade, que é uma empresa independente.

Até junho, a Gol captou R$ 600 milhões com o Smiles. A companhia também fez um aumento de capital de cerca de R$ 460 milhões em 2015, por meio de aportes do seu controlador, a família Constantino, e da companhia aérea americana Delta, acionista minoritária.

No fim do segundo trimestre, a posição de caixa da empresa era de R$ 1,365 bilhão. O valor ainda está abaixo da meta historicamente perseguida pela empresa, de 25% da receita líquida em 12 meses. “Estamos com o caixa apertado. Mas esse patamar é suficiente para assegurar a operação da companhia”, ressaltou Kakinoff.

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