Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Após venda não 'vingar' na Bolsa, Braskem volta a negociar com fundos

Companhia está no mercado há cerca de quatro anos, com várias tentativas frustradas de Novonor (ex-Odebrecht) e Petrobras de se desfazer do ativo; negócio é estimado em R$ 40 bi, e Apollo, Starboard e Advent estariam entre interessados

Fernanda Guimarães e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2022 | 17h02

Depois de muitas tentativas frustradas de encontrar um novo dono, a petroquímica Braskem está novamente no mercado de tentando achar um comprador para suas operações globais. Após quase fechar negócio com a rival holandesa LyondellBasell em 2019 e de tentar achar uma saída para seus principais sócios – a Novonor (ex-Odebrecht) e Petrobras – via uma oferta de ações em Bolsa, a companhia voltou à ideia original de encontrar um comprador no mercado privado. E agora são os private equities (fundos que compram participações em empresas) o alvo preferencial.

A percepção de fontes que acompanham o negócio é de que o negócio não será muito competitivo por conta do tamanho do cheque estimado pela empresa,  de cerca de R$ 40 bilhões. Entre os nomes que estão analisando o negócio estão fundos como Apollo, Starboard e Advent, apurou o Estadão. O banco Morgan Stanley está assessorando a operação. 

Com a janela para ofertas de ações fechada no Brasil diante da volatilidade do mercado por causa das eleições, a Odebrecht e a Petrobras foram obrigadas a voltar para seu plano original de venda da petroquímica. As conversas com os private equities já começaram e devem ser anunciadas em breve.

Em 2019, a Odebrecht chegou perto de vender sua fatia na Braskem à holandesa LyondellBasell, mas a negociação foi suspensa após 16 meses, com o aumento da insegurança jurídica em torno do grupo – um dos pivôs da Operação Lava Jato – e outros imbróglios, como a falta de apresentação de documentos à Securities and Exchange Commission (SEC) – a CVM dos EUA – e a dificuldade de se calcular os gastos com os danos causados pela exploração de sal-gema pela petroquímica em Maceió (AL).

Problemas em série

O processo de venda da Braskem é antigo e acabou esbarrando no modelo para a transação com a venda, além de problemas judiciais da companhia. Inicialmente, também não estava claro se a Petrobras, que detém 47% das ações com direito a voto da empresa, venderia sua fatia. Na época, os potenciais interessados trouxeram a demanda de fatiamento da companhia.

No entanto, no fim do ano passado, o mercado de renda variável estava efervescente no País. Diante disso, Novonor e Petrobras acertaram que a venda ocorreria via ofertas de ações e chegaram a contratar o sindicato de bancos que ficaria à frente dessa transação. A ideia seria fazer esse movimento aos poucos, por causa do tamanho da operação.

Entre o planejamento e a execução da estratégia, no entanto, o mercado fechou – e as companhias foram obrigadas a voltar à estaca zero. Para a Odebrecht, a venda é um passo necessário para o prosseguimento de seu plano de recuperação judicial, que envolve dívida de R$ 100 bilhões. Apesar do fracasso da operação de venda via B3, a Braskem segue tentando entrar no Novo Mercado – que tem maiores exigências de governança corporativa – como forma de se mostrar mais interessante para investidores.

Do lado da Petrobras, a venda – em Bolsa ou para fundos privados muito capitalizados – significa dar continuidade de saída de seus ativos não estratégicos, que já resultou na venda de diversos ativos nos últimos anos, com arrecadação bilionária. Das ações com direito a voto na Braskem, a Novonor detém 50,1% e a Petrobras, 47%. O restante está nas máos de minoritários.

Procurados, Advent, Petrobras, Novonor e Braskem não responderam até a publicação desta reportagem. A Starboard não comentou.

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