‘Aqueles que previram o caos vão quebrar a cara’, diz Carvalho sobre setor elétrico

Após anúncio de pacote de socorro para o setor elétrico, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República diz que conta maior em 2015 é para não antecipar alta de custo de vida

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues e Rafael Moraes Moura, Agência Estado

14 de março de 2014 | 12h16

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou na manhã desta sexta-feira, 14, que "aqueles que previram o caos" no setor elétrico "vão quebrar a cara mais uma vez". O ministro também saiu em defesa da estratégia do governo de repassar o aumento da conta de luz aos consumidores apenas em 2015, após as eleições. Segundo Carvalho, o governo Dilma Rousseff tem como objetivo "não antecipar custos que vão onerar a vida do trabalhador".

"O Brasil continua com seu suprimento energético. Tivemos neste ano de recorrer mais às térmicas, mas o sistema continua funcionando e vai continuar funcionando porque este é um governo responsável. Tenho certeza de que de novo que aqueles que previram o caos vão quebrar a cara mais uma vez. Parece que não aprendem", afirmou o ministro a jornalistas, antes de participar do lançamento do edital do Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica, no Palácio do Planalto.

"Pegue os jornais do ano passado, do ano retrasado, do outro ano, é sempre assim... (Quando surgem) problemas nos reservatórios, já se começa a fazer terrorismo. Na prática, não aconteceu isso. A realidade combate o terrorismo. A realidade vai mostrando que o sistema elétrico é muito mais sólido. Você consegue suprir o País naquilo que ele precisa em termos de energia, sem solavancos, sem algumas profecias do terrível que algumas pessoas teimam em realizar todo início de ano."

O governo federal anunciou ontem um pacote de socorro às empresas de distribuição de energia de elétrica da ordem de R$ 12 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões são do Tesouro Nacional. A promessa do governo é que a conta só chegue aos consumidores em 2015, ou seja, depois das eleições presidenciais de outubro.

O setor elétrico tem sido um dos principais alvos de críticas da oposição. Para o Palácio do Planalto, defender a área é também uma questão de honra para o governo, já que a presidente foi ministra de Minas e Energia no governo Lula.

"Você tem de fazer os cálculos econômicos e ver quando eles precisam ser dados. É evidente que você tem de cuidar do bolso do contribuinte, como a presidente (Dilma Rousseff) cuidou. Esse é o nosso objetivo o tempo todo. É reduzir os custos do bolso do consumidor, não antecipar custos que vão onerar a vida do trabalhador. Esse é o principio que nos movimenta sempre", disse Carvalho.

Avaliação. Ao deixar o Ministério da Fazenda, antes de se encaminhar para São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou hoje que o pacote de medidas anunciado ontem para o setor de energia foi bem recebido. Na agenda do ministro não constava essa passagem pela sede da pasta e a assessoria de imprensa do órgão não informou o motivo dessa alteração no cronograma.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, após encontro com o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, avaliou que as medidas anunciadas ontem pelo governo resolvem, a princípio, o problema de fluxo de caixa do setor. "Uma primeira avaliação indica que o pacote resolve o problema da exposição involuntária e o custo das térmicas", disse o executivo.

Leite ponderou, no entanto, que a entidade ainda irá analisar mais profundamente os impactos das medidas. Uma dúvida que ainda resta é a forma pela qual a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) conseguirá dar garantias para os empréstimos de aproximadamente R$ 8 bilhões anunciados ontem.

O pacote de medidas para o setor inclui a realização de um leilão A-0 para cobrir o buraco de suprimento que as distribuidoras não conseguiram preencher no leilão A-1, realizado em dezembro do ano passado. Desta vez, empreendimentos térmicos poderão participar do certame, algo que estava vedado na disputa anterior. A expectativa, com a medida, é que a oferta de energia para ser entregue já a partir de maio seja superior à descontratação das empresas.

Além disso, para resolver a conta dessa energia nos quatro primeiros meses do ano e ainda toda a eletricidade térmica que está sendo usada em 2014 devido aos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, o Tesouro Nacional fará um aporte de recursos da ordem de R$ 4 bilhões. Outros R$ 8 bilhões que seriam necessários, segundo estimativas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para cobrir esses custos serão captados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) junto aos bancos na forma de empréstimo, que será pago pelos consumidores.

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