Arezzo/Divulgação
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Arezzo anuncia nova oferta de ações de R$ 615 milhões para ampliar negócios

Companhia calçadista, que agora também atua no setor de moda, vai emitir novos papéis, que terão o preço definido em 3 de fevereiro

Fernando Scheller, Talita Nascimento e Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 09h15
Atualizado 28 de janeiro de 2022 | 01h23

A Arezzo, empresa calçadista que entrou de maneira firme no setor de moda com a compra da Reserva e da Carol Bassi, anunciou na quinta-feira, 28, uma nova oferta de ações para captar recursos visando ao crescimento de seus negócios. A nova oferta subsequente de ações (follow-on) deve captar R$ 615 milhões, com a emissão de 7,5 milhões de papéis. Há ainda a possibilidade de uma oferta extra, que pode elevar a operação para R$ 830 milhões.

Conforme fato relevante da Arezzo, os bancos coordenadores da oferta são Itaú, BTG Pactual, Bank of America, XP, Santander e UBS BB. Ainda de acordo com o comunicado, esta é a primeira vez que a Arezzo vai a mercado em 11 anos, desde o IPO (oferta inicial de ações) da companhia. Na estreia, os papéis da marca valiam R$ 19; hoje, são negociados acima de R$ 80. 

 

Os objetivos da nova oferta estão relacionados ao crescimento da empresa, tanto orgânico quanto por aquisições. Entre os investimentos previstos, diz a Arezzo, estão abertura de lojas, aumento da capacidade logística, tecnologia e capacidade fabril – neste último quesito, a empresa ainda tem presença limitada, pois atua principalmente no varejo. Aquisições também estão no radar.

'Casa de marcas'

Relatórios de casas de análises e bancos apontaram que os novos recursos vão reforçar a estratégia de crescimento da Arezzo. Para o banco Goldman Sachs, a empresa terá mais flexibilidade para perseguir sua ambição de construir uma “casa de marcas” em calçados e vestuário. 

Os analistas do Citi, por sua vez, veem a Arezzo como uma das empresas mais ativas no setor em termos de crescimento inorgânico – via aquisições – e apontam que a nova oferta deve acelerar a busca de oportunidades em moda esportiva, de praia e de empresas nativas digitais, que estariam no radar da companhia para futuros negócios. Isso reforçaria os planos de ampliar o portfólio para além dos sapatos e bolsas, como aconteceu no ano passado com a compra de marcas como Carol Bassi e BAW. 

Sobre operações maiores de fusão e aquisição, analistas são mais céticos a respeito de uma definição. A Arezzo fez oferta pelo controle da Hering no ano passado, mas a empresa de vestuário acabou fechando negócio com o Grupo Soma, dono da Farm e da Animale. Desde então, cresceram rumores sobre uma fusão entre Soma e Arezzo. 

Segundo fontes, uma combinação de negócios desse tipo não estaria descartada, mas a negociação é considerada difícil por conta da definição do controle da empresa resultante da fusão. 

Além dos calçados: a história do grupo Arezzo

  • História:

A Arezzo foi fundada em 1972 e se especializou em calçados, bolsas e acessórios. A empresa acelerou sua expansão no modelo de franquias a partir da década de 1990 e abriu seu capital na Bolsa em 2011.

  • Evolução:

Segundo o último balanço, referente a setembro de 2021, a Arezzo acumulou receita de R$ 2,3 bilhões em nove meses, sendo R$ 540 milhões em vendas online. Na época, a marca tinha 894 lojas, sendo que 145 eram próprias e 749 franquias.

  • Aquisições:

Com a estratégia de criar uma “casa de marcas”, a companhia acelerou as aquisições nos últimos anos, fechando as compras das marcas Troc, MyShoes, BAW, Reserva e da Carol Bassi.

  • Proposta rejeitada:

A Arezzo fez uma proposta de “combinação de negócios” com a Hering em abril de 2021, mas a companhia de vestuário preferiu fechar negócio com a Soma, dona das marcas Farm e Animale. Desde então, há rumores sobre uma fusão da própria Arezzo com a Soma – uma negociação considerada difícil por analistas.

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