Argentina acusa Petrobrás e Shell de manipular preço de combustíveis

Ministro argentino anunciou que país irá forçar unidades locais a aumentarem sua produção

Renato Martins, da Agência Estado,

18 de agosto de 2010 | 19h03

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, disse que o governo do país vai forçar as unidades locais da anglo-holandesa Shell e da brasileira Petrobrás a aumentarem sua produção de combustível. Segundo ele, as duas empresas reduziram intencionalmente sua produção, de modo a criar uma escassez de oferta para forçar os preços para cima. "Por causa disso, o Estado vai intervir para assegurar que essas refinarias operem à capacidade máxima", afirmou o ministro.

De Vido também disse que o governo "vai regular as exportações de combustível, se necessário, para assegurar que o mercado local esteja adequadamente abastecido". Ele afirmou ainda que vai exprimir essa insatisfação junto a funcionários da embaixada do Brasil, porque a Petrobrás estaria agindo "sem ética".

Nesta terça-feira, a YPF, subsidiária argentina da espanhola Repsol YPF, havia anunciado que importará 50 milhões de litros de gasolina dos EUA na próxima semana, para compensar a escassez de oferta no mercado local. "Nossas refinarias estão operando a 100% da capacidade", disse um funcionário da YPF. Segundo ele, as refinarias da Petrobrás na Argentina estão operando a 24% abaixo de sua capacidade. "Houve uma decisão clara de desinvestir em venda de combustíveis na Argentina", acrescentou.

Porta-vozes da Shell e da Petrobrás não responderam a pedidos para que comentassem as acusações.

Em 2005, quando controles governamentais informais mantinham o preço da gasolina artificialmente baixo na Argentina, a Shell elevou seis preços, levando o então presidente do país, Nestor Kirchner, a conclamar os argentinos a boicotarem os produtos da empresa. Kirchner chegou a ameaçar prender o presidente da Shell. As informações são da Dow Jones.

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