Sergio Dutti/AE
Sergio Dutti/AE

Argentina compra 20 aviões da Embraer com ajuda do BNDES

Aeronaves serão usadas em voos domésticos da subsidiária da Aerolíneas Argentinas, reestatizada em 2008

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

22 Maio 2009 | 03h45

A presidente Cristina Kirchner anunciou nesta quinta-feira, 21, a assinatura do acordo de compra de 20 aviões da Embraer. Os aparelhos serão destinados à companhia aérea Austral, subsidiária da Aerolíneas Argentinas, reestatizada em dezembro de 2008. As duas empresas argentinas - cujos atuais aparelhos são definidos por especialistas como "sucatas voadoras" - não compram aviões novos desde 1992.

No ano passado, Cristina anunciou com toda pompa a reestatização das históricas Aerolíneas e Austral e sua intenção de "revitalizá-las", com a aquisição de novos aviões.

Além da compra de aviões da Embraer, a presidente celebrou a assinatura de um entendimento entre a empresa e o governo argentino para apoio ao desenvolvimento e capacitação tecnológica da Área Material Córdoba (AMC), a ex-Fábrica Militar de Aviões argentina, em processo de reestatização. O plano é que a AMC forneça serviços e peças para a Embraer.

A cerimônia foi realizada na Casa Rosada, o palácio presidencial, onde também esteve o vice-presidente executivo para o mercado de aviação comercial, Mauro Kern. "Temos muito orgulho de estrear nossos E-Jets na Argentina e de participar na renovação da frota dessa companhia aérea de renome internacional", disse Kern. "Esperamos estabelecer um relacionamento de longo prazo com essa importante empresa aérea."

Segundo o governo argentino, a compra será financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com as autoridades argentinas, o custo total seria de US$ 700 milhões. Desse total, 85% - US$ 595 milhões - seriam financiados pelo BNDES por 12 anos, com juros anuais de 8%. Os 15% restantes do valor a pagar serão desembolsados pela Aerolíneas ou pelo Tesouro Nacional, na hora da entrega dos aviões.

Os 20 aviões que a Argentina comprou são os Embraer 190, para 96 passageiros (mas podem ser ampliados até 114 poltronas). Esses aviões - que permitirão uma economia de 30% de combustível comparados com os velhos aparelhos da Aerolíneas e da Austral - serão destinados a voos domésticos e regionais. Nunca antes, em seus mais de 50 anos de história, a Aerolíneas havia feito uma compra de tal magnitude.

Segundo as autoridades argentinas, os primeiros aparelhos chegarão à Argentina em fevereiro do ano que vem. A Austral vai receber dois aviões por mês. "A ideia é que todos os aviões sejam entregues até 2010", disse o secretário dos Transportes, Ricardo Jaime.

Em comunicado, a Embraer informou que o contrato foi "fechado", mas só "será efetivado após o cumprimento de certos requisitos, o que deverá ocorrer em dois meses".

"O mais grande"

Na Argentina, existe o mito de que os brasileiros referem-se ao país, à cultura, ao futebol e aos produtos brasileiros como "os mais grandes do mundo". A frase é pronunciada em Buenos Aires como "o mais grandgi dú múndô", com o erro gramatical, em vez da correta "o maior do mundo". Ontem à noite, Cristina citou a frase, e além disso enfatizou: "Acho fantástico o orgulho dos brasileiros, que se referem assim: ´mais grande do mundo´! Isso mostra o orgulho que eles têm".

Cristina Kirchner é uma declarada admiradora da Embraer. A empresa brasileira foi a única citada no discurso de seu comício de lançamento de candidatura à presidência, em julho de 2007. Na ocasião - e em outras oportunidades, incluindo o discurso de posse -, a presidente argentina destacou a Embraer como "modelo a seguir".

Além disso, declarou seu interesse em um acordo entre a Embraer e a AMC. Cristina revelou, várias vezes, que gostaria que a AMC produzisse peças para aviões da Embraer. No ano passado, disse que sonha com um projeto de produção conjunta de aviões entre a AMC e a empresa brasileira.

A fábrica - estatal desde a fundação, em 1927 (a primeira a ser inaugurada na América Latina) - foi privatizada nos anos 90, no governo do ex-presidente Carlos Menem. A empresa, administrada pela Lockheed Martin, reduziu bastante a atividade na última década. Há dois anos, o governo argentino decidiu não renovar o contrato com a Lockheed e reestatizar a AMC.

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