Argentina dará benefícios a petrolíferas que investirem

O governo argentino lançou nesta quarta-feira um programa de incentivos fiscais para investimentos em exploração, produção e refino de petróleo, com o objetivo de ampliar sua oferta. O plano anunciado pelo ministro de Planejamento, Julio De Vido, inclui benefícios fiscais para os projetos que possam levar a um aumento da produção de petróleo e de combustíveis, embora ainda não esteja claro qual será seu custo fiscal. De Vido disse que o governo busca promover investimentos "tanto do Estado nacional como de empresas privadas que permitam incrementar a produção de produtos energéticos que acompanhem e satisfaçam a crescente demanda energética motivada pelo expressivo crescimento econômico que o país experimenta". A terceira economia latino-americana está em seu sexto ano consecutivo de crescimento, embora tudo indique que o ano de 2008 terminará abaixo das taxas superiores a 8 por cento que marcaram os últimos cinco anos, em meio a sinais de clara desaceleração e de um cenário mais fraco para o ano de 2009. Entretanto, o boom econômico aconteceu simultaneamente com a falta de investimentos no setor de energia, fruto de uma série de crises e do congelamento virtual das tarifas internas e dos combustíveis, o que levou o país a viver sempre no limite entre a oferta e a demanda energética desde 2004. Para ampliar a oferta, o governo recorreu à importação de óleo diesel venezuelano, gás natural boliviano e energia elétrica brasileira; além de amargar um impasse diplomático com o Chile pelo corte das exportações de gás natural ao país andino. "Estamos priorizando o abastecimento interno", esclareceu De Vido antes de explicar que o Estado dará às empresas que aderirem ao programa, em função de seus investimentos e da produtividade, crédito fiscal para que abatam parte do imposto de exportação aplicado aos hidrocarbonetos. O programa também estipula a devolução antecipada do Imposto ao Valor Agregado. Durante o anúncio da medida, classificada pela presidente Cristina Kirchner como "de caráter estratégico e estrutural", foi anunciada também que a empresa Panamerican Energy estuda a construção de uma refinaria com capacidade de processamento de 100.000 barris diários e que precisará de um investimento de 2,5 bilhões de dólares. A Panamerican Energy opera na Argentina e no Brasil. Segundo disse o ministro em uma entrevista coletiva na residência presidencial nos subúrbios de Buenos Aires, desde 2003 a demanda local de diesel cresceu 31 por cento; a de combustíveis, 61 por cento, e a de asfalto, 93 por cento. (Reportagem de Damián Wroclavsky)

REUTERS

12 de novembro de 2008 | 16h32

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