Argentina: exportador quer fim de taxa nas vendas para o Brasil

Buenos Aires, 24 - Os exportadores argentinos vão pedir hoje ao ministro de Economia, Roberto Lavagna, a eliminação do direito de exportação que o governo cobra por cada produto industrializado vendido ao Brasil. O presidente da Câmara de Exportadores da República Argentina (CERA), Enrique Mantilla, explica que os exportadores pagam um direito de 5% em suas vendas ao Brasil, "uma taxa que nenhum outro país do Mercosul paga pelas exportações dentro do bloco e que nos coloca em desvantagens". Ele afirma que a taxa "prejudica os exportadores e não atrai investimentos", além de estimular a preferência das empresas internacionais pelo Brasil na hora de instalar-se no Mercosul. "Há um claro benefício para quem exporta do Brasil", reclama Mantilla. O empresário também reivindica do governo de Néstor Kirchner a iniciativa para realizar uma reforma no Mercosul. Segundo ele, o bloco regional "é um objeto político não identificado" e "é preciso adotar uma estratégia nacional exportadora que integre as políticas interna e externamente". (Marina Guimarães) A balança comercial da Argentina poderá crescer 8% nesse ano, em comparação com 2003, segundo projeções do Centro de Estudos Bonaerenses (CEB). A consultoria estima que o saldo comercial favorável será de US$ 12,5 bilhões em 2004, e que o total exportado chegará a US$ 33 bilhões, enquanto que as importações atingirão US$ 20,5 bilhões. No entanto, o CEB alerta que embora os números sejam positivos, mostram um acentuado aumento no volume de exportações de produtos primários e a dependência de commodities com preços internacionais voláteis. Para ilustrar a advertência, o CEB aponta o crescimento das vendas de oleaginosas. Enquanto que em 2000, as vendas destes produtos representavam 18% das exportações argentinas, em 2004 chegará a 28% do total exportado. (Marina Guimarães) A ameaça argentina de impor barreiras contra os calçados brasileiros será discutida hoje em reunião entre o secretário executivo do ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Fortes, e o secretário de Indústria da Argentina, Alberto Dumont, em Buenos Aires. Há duas semanas, o governo argentino anunciou que está disposto a adotar medidas unilaterais contra as importações de calçados brasileiros se não houver um compromisso do Brasil de limitar suas vendas ao mercado vizinho. A Argentina pretende acabar com as licenças automáticas para esse produto, a exemplo do que ocorre com as importações de máquinas de lavar roupa do Brasil. De acordo com o presidente da Câmara da Indústria do Calçado da Argentina, Alberto Sellaro, os fabricantes brasileiros não estão cumprindo o acordo fechado no início deste ano, pelo qual se limitavam a exportar entre 12 a 13 milhões de pares de sapatos até o final de dezembro. "Calculamos que se o atual ritmo de exportações brasileiras continuar, entrarão uns 18 milhões de sapatos brasileiros no nosso mercado", afirma Sellaro. No entanto, em sua última reunião em Buenos Aires, há cerca de um mês, o secretário Márcio Fortes afirmou que não havia nenhum problema com o setor. Segundo ele, as cotas de exportações de calçados para a Argentina estavam sendo cumpridas. (Marina Guimarães)

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