Argentina voltará a produzir urânio em 2008 após 12 anos

A Argentina reativará a extraçãode urânio após 12 anos sem atividades nas minas, motivada pelacrescente demanda mundial e por um déficit local de energia,que neste ano atingiu duramente a indústria, afirmou naquarta-feira o secretário argentino de mineração. O governo está dando andamento a um projeto que contempla aativação de novas explorações e a reabertura de outras. Aprimeira será "Don Otto", na província de Salta. "Maio é uma boa data de compromisso para extração demineral de urânio na mina Don Otto, em Salta", disse à Reuterso ministro Jorge Mayoral. A mina, inativa durante 26 anos, produzirá cerca de 30toneladas anuais de mineral de urânio. "Significa substituir a importação de mineral de urânio naordem de 25 a 30 por cento da demanda atual que exigem asplantas núcleo-elétricas na Argentina (de cerca de 120toneladas)", complementou. A Argentina faz parte do seleto grupo de países que dominama tecnologia de enriquecimento de urânio e que produzemcombustível para alimentar reatores nucleares. O país deixou deproduzir urânio em 1995, em meio a uma queda dos preçosinternacionais, e passou a depender das importações. Nos últimos anos, os preços do metal dispararam para cercade 90 dólares por libra-peso e desataram uma febre pela suaexploração e, com os problemas de aquecimento global como panode fundo, a energia atômica voltou para o primeiro plano. A Argentina decidiu enfrentar sua crise, que durante oinverno reduziu a produção industrial pela metade, com umambicioso plano que inclui a finalização de sua terceiracentral nuclear e a construção de uma quarta. Atualmente Argentina e Brasil são os únicos países daregião que têm em marcha um programa desse tipo. Os maioresprodutores mundiais de urânio são Canadá e Austrália.

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