Arroz: produtores protestam em reunião de embaixadores no RS

Porto Alegre, 1 - Um grupo de produtores rurais interrompeu hoje pela manhã uma reunião de embaixadores do Mercosul, que se realiza em Porto Alegre, para protestar contra a política comercial do bloco econômico. Eles estenderam uma faixa diante dos ministros com a frase "Arroz, moeda podre de troca não" e utilizaram narizes de palhaço. Não houve intervenção de seguranças nem agressão às autoridades. Os agricultores reclamam do ingresso livre de arroz uruguaio no mercado brasileiro, justamente quando o Rio Grande do Sul colheu a maior safra da sua história e quando o país se tornou auto-suficiente na produção do cereal. "Colhemos 6,3 milhões de toneladas e recebemos como pagamento a abertura do mercado ao arroz uruguaio", reclamou o produtor Juarez Petry de Souza. Segundo ele, a política comercial brasileira tem causado desemprego nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, que compreende municípios localizados na fronteira com o Uruguai. O arroz uruguaio é mais barato que o brasileiro, segundo os produtores gaúchos, porque o custo dos insumos agrícolas, especialmente químicos, é menor em função da pequena carga tributária praticada no país vizinho. Além disso, Petry também denunciou que o Uruguai pratica uma operação de triangulação para colocar produto barato no mercado local, vendendo arroz de países asiáticos como se fosse plantado no Mercosul. O pecuarista Rodrigo Sousa Costa, por sua vez, criticou a falta de paridade entre produtores brasileiros e de outros países do bloco. "Enquanto eles vendem arroz livremente aqui, nós não podemos vender gado para abate nos mercados deles, apesar de termos o mesmo status sanitário", queixou-se. Pela manhã, uma representação de arrozeiros gaúchos entregou ao governador Germano Rigotto um documento pedindo medidas para amenizar a situação. O protesto pegou de surpresa o embaixador uruguaio presente à reunião. Augustin Espinoza exaltou o tom civilizado dos produtores, mas salientou que não está preocupado com a questão. "Isso é um problema de política agrícola entre agentes privados", disparou ele. O embaixador brasileiro, Bernardo Pericas Neto, não descartou a possibilidade de o país adotar cotas para a entrada do arroz uruguaio no País.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2004 | 17h29

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