Associação pede a Bush que mantenha tarifa a etanol brasileiro

Produtores de biocombustíveis pressionam líderes do G8 a não descartar programas devido à crise dos alimentos

Deise Vieira, da Agência Estado,

14 de julho de 2008 | 14h22

A Associação dos Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA, na sigla em inglês) enviou uma carta na sexta-feira à noite ao presidente norte-americano, George W. Bush, pedindo que ele não remova a tarifa de importação de US$ 0,54 por galão de etanol do Brasil.   Nos últimos dias, a RFA juntou forças com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) em uma campanha para convencer os líderes do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), que se encontraram na semana passada, a não descartarem nenhum programa de biocombustível por causa dos preços elevados dos alimentos.   A produção de etanol é apontada como uma das causas dos preços altos dos grãos, principalmente nos Estados Unidos. Recentemente, a Unica, a empresa norte-americana Tyson Foods, o Federal Reserve Bank of St. Louis e a senadora Barbara Boxer, democrata da Califórnia, pediram aos EUA a suspensão da tarifa ao etanol brasileiro.   O preço do etanol no Brasil, que usa como matéria-prima a cana-de-açúcar, é de aproximadamente US$ 1,40 o galão, em comparação a mais de US$ 2,90 o galão nos EUA, onde a matéria-prima é o milho.   Segundo a RFA, os preços elevados dos alimentos devem-se ao avanço das cotações do petróleo, ao aumento da demanda, secas que prejudicam lavouras e à diminuição do valor do dólar, e não à produção de etanol de milho.   A preocupação da RFA é que as críticas ao etanol de milho possam fazer com que os EUA descartem o programa de mistura de etanol ou removam a tarifa sobre o produto brasileiro. Isso forçaria os produtores norte-americanos a baixarem os preços do combustível em um momento em que a grande maioria deles não consegue fazer com que o dinheiro dure até o fim do mês devido ao custo elevado do cereal.   A tarifa secundária de 54 cents/galão foi aprovada pelo Congresso em 1980 para compensar qualquer incentivo ao etanol importado que pudesse ser beneficiado pela tarifa de crédito para o etanol misturado ao combustível, segundo a carta da RFA.   "Essa tarifa de crédito é tomada pelos refinadores que misturam etanol ao combustível, e não pelos produtores de etanol". O objetivo da tarifa secundária é proteger os contribuintes norte-americanos de subsidiar as importações, e não proteger os produtores de etanol.   Ignorar o papel central do etanol na redução das importações de petróleo e na redução dos preços da gasolina prejudicaria os consumidores em todo o país", afirmou Bob Dinneen, presidente da RFA. "Remover a tarifa não reduziria os preços dos alimentos", acrescentou.   A Unica lançou uma campanha durante o fim de semana do Dia da Independência dos EUA argumentando que mais etanol brasileiro nos EUA significa preços mais baixos da gasolina. Mas isso tem sido em grande parte um novo ângulo para o argumento.   "O argumento da carta de que a tarifa existe para proteger o contribuinte americano de subsidiar importações é errado, enganoso e malicioso", afirmou Joel Velasco, representante da Unica em Washington.   Ele acrescentou que se o preço mais alto do etanol de milho estiver ajudando a reduzir os preços da gasolina, o etanol brasileiro mais barato ajudaria a reduzi-los ainda mais. As informações são da Dow Jones.

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