Ata do Copom demonstra sintonia do BC com Planalto e Fazenda

Tarefa atual do governo parece ser a de retirar a cortina de informações econômicas negativas que pesam sobre as decisões de empresários e consumidores

Célia Froufe e Eduardo Cucolo, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 11h25

BRASÍLIA - O Banco Central demonstrou hoje, mais uma vez, que está em sintonia com o Palácio do Planalto. Os pronunciamentos recentes das duas áreas do governo condicionaram a melhora do ânimo dos agentes econômicos à retomada do crescimento do País. E a tarefa atual do Estado parece ser a de retirar a cortina de informações econômicas negativas que pesam sobre as decisões de empresários e consumidores.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta manhã, atrelou o ganho de atividade doméstica à reversão tempestiva da queda da confiança dos agentes. O tema foi abordado em três ocasiões no documento. O discurso do BC é similar ao apresentado pela presidente Dilma Rousseff ontem durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o conselhão. Dilma aproveitou o evento para, como disse, repelir as posturas pessimistas quanto à economia brasileira hoje e no futuro. "Há dados que desmentem as análises mais negativas. Temos estruturalmente mais condições do que em anos passados. Isto é uma verdade que tem sido ignorada", afirmou a presidente.

Esta não é a primeira vez que o governo quer dar uma injeção de ânimo aos mercados e passa a bola da retomada da atividade para o setor privado. Em julho do ano passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, evocou o "espírito animal" do empresariado. "É preciso que o setor empresarial desperte seu espírito animal e faça os investimentos, pois quem sai na frente tem vantagens", disse Mantega, na ocasião.

Hoje, o BC citou na ata da última reunião do Copom, pela primeira vez, que a materialização dos ganhos esperados pelos efeitos das ações de política fiscal, expansão da oferta de crédito e concessão de serviços públicos, entre outros, pode ser contida se não houver reversão imediata da piora da confiança atual das empresas e das famílias. Além disso, o colegiado voltou a dizer que as taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. "Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários", citou a autoridade monetária.

Num outro trecho da ata de hoje, o Copom também ponderou que a indexação de preços e a piora na percepção dos agentes econômicos têm influência sobre a própria dinâmica da inflação. "Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido."

Ontem, a presidente disse ter certeza de que a inflação ficará dentro da meta este ano, que é uma taxa de 4,5%, com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. "A inflação do Brasil vem caindo de maneira consistente nos últimos meses. O IPCA de maio foi menor que o IPCA de abril, o de junho menor que o de maio, e em julho deverá ser menor que o de junho, e muito próximo de zero. Nós sabemos que a inflação no País tem um caráter cíclico sazonal."

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