Ata do Copom diminui projeção para a inflação em 2013

No cenário de referência, o Copom agora considera o dólar a R$ 2,20, ante R$ 2,40 do documento anterior, e o juro básico em 9% ao ano, contra 8,5% ao ano da última ata

Célia Froufe e Eduardo Cucolo , da Agência Estado,

17 de outubro de 2013 | 08h40

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) diminuiu a projeção para a inflação de 2013 em relação ao valor considerado na última reunião no cenário de referência. O cenário de mercado também seguiu a mesma tendência. De acordo com a ata do Copom, do Banco Central, no entanto, as estimativas permanecem acima do centro da meta do governo, de 4,5%. 

Números quanto à expectativa, no entanto, não foram divulgados. O Copom informou que prevê alta de 5% da gasolina e 2,5% no gás ainda em 2013.

Para 2014, no cenário de referência, a projeção para a inflação também recuou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de agosto. Já no cenário de mercado, houve alta da estimativa. Nos dois casos, porém, a taxa esperada pelo colegiado segue acima da meta de 4,5%. O BC divulgou ainda que, pelas suas expectativas, a inflação, no terceiro trimestre de 2015, se posiciona acima da meta nos dois cenários.

Apesar de deminuir a projeção apra a inflação, a ata enfatizou no parágrafo 27 que a inflação brasileira "ainda" mostra resistência. Além disso, nesse mesmo trecho, retirou a expressão "piora" ao falar da percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação, conforme constava no documento apresentado no início de setembro. "O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência", trouxe o documento.

Nesse contexto, conforme a ata, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. "Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido."

De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado ao final de setembro, o governo da presidente Dilma Rousseff vai entregar ao final de 2013 uma inflação próxima da que foi verificada no ano passado. A projeção de IPCA naquele documento caiu de 6% para 5,8% ao final deste ano, no cenário de referência. Em 2012, segundo ano do governo Dilma, o IPCA fechou em 5,84% e em 6,50% em 2011, no primeiro ano do seu mandato.

Pelas projeções do BC no RTI, o IPCA no último ano do governo Dilma, em 2014, permanecerá ainda em patamares elevados e ficará em 5,7%, acima da estimativa anterior, de 5,4%. Também no RTI, o BC tinha elevado de 5,2% para 5,7% a projeção de IPCA acumulado em 12 meses ao final de 2014 no cenário de mercado. Para 2013, a projeção do cenário de mercado continua em 5,8%, conforme o relatório.

Dólar

O Copom reduziu a projeção para o câmbio em seu cenário de referência, aquele que considera variáveis como Selic e dólar estável por um período de tempo específico ou "todo horizonte relevante". De acordo com a ata, a projeção que passou a ser considerada para o dólar é de R$ 2,20. Naquele dia da decisão do BC, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,1790. No encontro do Copom de julho, o colegiado trabalhava com uma taxa de câmbio de R$ 2,25 e, no de agosto, subiu a cotação de referência para R$ 2,40. Já no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que o BC divulgou em setembro, o Copom já tinha diminuído a taxa para R$ 2,35.

A ata repetiu na íntegra o parágrafo 24 do documento de setembro, que citava a depreciação cambial como fonte de pressão inflacionária. Desta vez, o conteúdo pode ser encontrado no parágrafo 26 do documento publicado hoje.

"O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos", trouxe o documento.

Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros.

"Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária", continuou a ata.

Juro

Conforme o documento, o BC passou a adotar como referência uma taxa básica de juros de 9,00% ao ano. Na ata anterior, a Selic levada em consideração era de 8,50% ao ano. A ata salientou que o colegiado entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias em curso. Na última reunião, o grupo decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros de 9,00% para 9,50% ao ano.

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