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Ata do Copom traz ruído ao omitir convergência à meta em 2012

Para o economista da LCA, Flávio Samara, seria oportuno que o BC manifestassem no curto prazo que continua com o objetivo de buscar o IPCA de 4,5% para o ano que vem

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

28 de julho de 2011 | 17h12

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) apresentou um tom neutro, mas o fato de não ter mencionado que o Banco Central continua perseguindo a convergência da meta para 2012 gerou ruídos desnecessários de comunicação que podem piorar as expectativas para a inflação no próximo ano, afirmou o economista da LCA Flávio Samara. "Não se trata de um problema grave, mas seria oportuno que os dirigentes do BC pudessem manifestar no curto prazo que continua o objetivo de buscar o IPCA de 4,5% para o ano que vem", destacou.

Para Samara, o fato de o BC ter agregado no parágrafo 18 uma menção sobre o comportamento da inflação no primeiro semestre de 2013 não indica que o Copom abandonou o cumprimento da meta do próximo ano. Segundo ele, este tipo de manifestação também ocorreu em meados do ano passado quando o Copom se referiu à estimativas para o IPCA em 2012. "A ata divulgada hoje mostra que as previsões para a inflação no cenário de referência e de mercado para o primeiro semestre de 2013 estão ao redor da meta, mesmo que tenha ocorrido alguma leve elevação no caso do primeiro", apontou.

Na avaliação do economista, o Banco Central mudou o tom do comunicado, divulgado ao final da reunião do Copom realizada na semana passada, por causa de alguns fatores. Um deles é um ritmo menos acelerado da inflação no final deste ano, fruto de um conjunto de medidas do governo para diminuir o ritmo do nível de atividade, como a elevação de depósitos compulsórios, adoção de medidas para diminuir a velocidade da concessão de crédito, mais a elevação da taxa Selic, que subiu de 10,75% para 11,25% ao ano no dia 19 de janeiro e hoje está em 12,50%, uma alta de 1,75 ponto porcentual em seis meses. A LCA estima que o IPCA deve ficar ao redor de 7% em agosto e setembro deste ano, no acumulado em 12 meses, mas deve perder vigor e encerrar dezembro em 6,1%, na mesma base de comparação.

Segundo Samara, um outro fator que deu segurança para que o BC tivesse sinalizado na semana passada que pode parar em breve o ciclo de aperto monetário é a redução do nível de atividade doméstico. Depois do PIB ter registrado alta de 1,3% de janeiro a março deste ano, na margem, o economista-chefe da LCA trabalha com a hipótese de que essa expansão deve ter ficado ao redor de 0,7% entre abril e junho, pelo mesmo critério de avaliação, enquanto estima que deve apresentar um avanço médio de 1% no terceiro e quarto trimestres.

Segundo Samara, o Banco Central destacou na ata que as dúvidas sobre os desdobramentos da crise fiscal nos Estados Unidos, soberana em países europeus e incertezas quanto à redução do ímpeto do nível de atividade da China também pesaram para que o Copom adotasse uma mensagem mais concisa no seu comunicado divulgado na semana passada. "Não podemos esquecer que o BC está elevando os juros e deve continuar a fazê-lo em agosto e muito provavelmente também em outubro deste ano", comentou.

Para a LCA, a Selic deve encerrar o ano em 13% e permanecer neste patamar até o segundo semestre de 2012, quando o BC deve reduzi-la para 12,25% até o encerramento do ano que vem.

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