Ata do Copom vê maior pressão da demanda

Diante disso, BC avalia que desenvolvimentos inflacionários poderão apresentar riscos para a trajetória de preços

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 09h58

A ata da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) entende que há "confirmação das incipientes evidências de intensificação de pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores". Diante desse fato, os diretores da instituição avaliam que "aumenta a probabilidade de que desenvolvimentos inflacionários inicialmente localizados venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação". As afirmações constam do parágrafo 19 do documento divulgado há pouco pelo BC.

 

Um dos pontos destacados pelo documento é que o ambiente pode favorecer o repasse de altas do atacado para o varejo. "O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação e do grau de ociosidade da economia, dentre outros fatores", pondera o documento.

 

Ainda na demanda, os diretores do BC reforçam a avaliação de que o comportamento da demanda doméstica "tende a exercer certa pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres". "Essas e outras variáveis fazem parte do conjunto de informação que é levado em conta no processo de geração das projeções de inflação do Banco Central, que se constituem elemento central no julgamento que o Comitê faz sobre o cenário inflacionário prospectivo", completa o trecho 19 do documento.

 

Confiança tem nível historicamente alto

 

Os diretores do Copom afirmam no documento que as perspectivas positivas para a evolução da atividade econômica nos próximos meses tem elevado a confiança dos consumidores e dos empresários que "se encontra em níveis historicamente elevados".

 

Segundo o Comitê, o otimismo na economia é sustentado por diversos indicadores, como "comércio, utilização da capacidade na indústria e sobre o mercado de trabalho, bem como pelos sinais de continuidade da expansão da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas".

 

Diante desse otimismo, o ritmo da atividade econômica, dizem os diretores do BC, "depende, de forma importante, da evolução da massa de rendimentos reais, dos efeitos das medidas de estímulo fiscal e dos incrementos das transferências governamentais que ocorrerão nos meses à frente". Há, ainda, a lembrança de que a atividade será beneficiada "pela distensão das condições financeiras, favorecida, entre outros fatores, pelas políticas dos bancos oficiais".

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