Atividade de fusões e aquisições sobe, mas cenário é de cautela

Impulsionada pelo mês de agosto mais movimentado em mais de uma década, a atividade de fusões e aquisições cresceu 21 por cento até agora este ano, com um cenário estável nos Estados Unidos e crescimento em mercados emergentes minimizando o recuo na Europa.

JESSIVA HALL, REUTERS

24 de setembro de 2010 | 09h41

Um ressurgimento da força nas opções de financiamento tem incentivado a busca de acordos que tinham sido deixados de lado na primeira metade do ano. Empresas de capital de risco também voltaram.

Até agora este ano, a atividade global de fusões e aquisições totalizou 1,678 trilhão de dólares, crescimento de 21 por cento na relação anual, segundo dados preliminares da Thomson Reuters.

No terceiro trimestre, a atividade totalizou 599 bilhões de dólares, crescimento de 35,6 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o atual período marca o terceiro trimestre de crescimento e o mais forte em dois anos para fusões e aquisições no mundo.

O Goldman Sachs assumiu a liderança mundial, subindo do segundo posto no ano passado e à frente de JP Morgan e Morgan Stanley.

O cenário para o restante do ano continua sendo de cautela, entretanto, com uma esperada melhora modesta ano a ano.

"Estamos vivendo em um ambiente frágil. Uma taxa estável sem um catalisador negativo vai levar a mais atividade", disse Jimmy Elliott, diretor global de fusões e aquisições do JPMorgan.

"Muitos presidentes-executivos e conselhos de administração não estão interessados em fazer transações transformadoras neste momento. Apesar disso, temos uma saudável recuperação de aquisições menores", disse ele.

A maior operação do ano continua no limbo, com a Potash Corp abrindo um processo na quarta-feira contra a BHP Billiton em meio à tentativa da gigante da mineração de comprar a produtora canadense de fertilizantes por 39 bilhões de dólares em uma oferta hostil.

O diretor de fusões para as Américas do UBS, Cary Kochman, afirma que a atividade nos mercados emergentes "vai encerrar o ano em níveis recordes".

"China, Brasil, Canadá e Índia continuam sendo de grande interesse. A razão para isso é que estes mercados entraram na crise financeira com alguns dos menores níveis de dívida do mundo. Eles também são mercados que estão passando por forte crescimento", afirmou ele.

A atividade de fusões e aquisições dos países do Bric, formado por Brasil, Rússia, Índia e China, representou 18 por cento do total no mundo até agora este ano, percentual recorde. No geral, o nível de atividade dos Brics cresceu 65 por cento em relação ao mesmo período de 2009.

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