Ativos de cimenteiras têm 'fila' de interessados

Investidores latino-americanos e asiáticosanalisam unidades no Brasil, segundo fontes

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2014 | 02h02

As fabricantes de cimento Holcim e Lafarge, que se juntaram para criar uma gigante global do setor, anunciaram ontem ter recebido mais de 100 manifestações de interesses por ativos que terão de vender antes da planejada fusão. Como o Brasil está na lista, a notícia já movimenta, nos bastidores, empresas estrangeiras interessadas em entrar no País, apurou o 'Estado'.

Ontem, o presidente da Holcim, Bernard Fontana, informou que as companhias receberam mais de 100 manifestações, incluindo de fundos de private equity e outras cimenteiras, com o interesse de comprar todo o portfólio de ativos.

Fontana afirmou que as companhias vão começar as discussões com potenciais compradores em agosto, mas não quis dizer qual será o prazo final para as ofertas. Os dois grupos estão buscando compradores para operações na Áustria, Hungria, Romênia, Sérvia, Grã-Bretanha, Filipinas, Ilhas Maurício e Brasil para responder a preocupações de reguladores de competição sobre seu poder combinado de mercado.

As duas companhias propuseram uma série de vendas de ativos de vários bilhões de euros em seu esforço para conseguir aprovação regulatória para a fusão, anunciada em abril, que criará um grupo combinado com receita anual de US$ 44 bilhões. Uma oferta pública inicial de ações ou cisão para alguns ativos permanecem como opções.

Brasil. No mercado brasileiro, cria-se uma situação complexa, uma vez que potenciais interessadas nos ativos das gigantes estão com restrições por conta da condenação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em maio, o órgão impôs multas que somam R$ 3,1 bilhões às cimenteiras que combinavam preços e determinavam a quantidade de cimento para cada uma no mercado, no caso que ficou conhecido como "cartel do cimento". O órgão antitruste determinou ainda que as companhias condenadas vendam participações minoritárias que possuem em empresas menores no setor, como Itambé, Topmix, Supermix, Brasmix e Polimix, o que permitirá um descruzamento acionário no setor. Já no mercado de concreto, ficou definida a venda de até 20% da capacidade instalada das grandes companhias.

Por conta dessa decisão, muitas empresas podem encontrar restrição para a compra de ativos combinados da Holcim e Lafarge. A fusão das gigantes, que ocorreu antes da decisão do Cade sobre o cartel, provocará a entrada de novos investidores no mercado brasileiro, informou uma fonte. "Já há movimentações nesse sentido, com consultas, mas nada definido", disse. "Companhias latino-americanas e asiáticas já sondam o mercado nacional."

Entre as que foram punidas, está a Votorantim, que teve a maior multa, de R$ 1,565 bilhão. A empresa, apontada como líder do cartel, terá de vender ativos em cimentos. A empresa disse, à época, que recorreria da decisão. A Holcim foi multada em R$ 508 milhões, a Itabira em R$ 411 milhões, a Cimpor em R$ 297 milhões, a Camargo Correia em R$ 241 milhões e a Itambé em R$ 88 milhões. Todas disseram que recorreriam.

O País movimentou 28,8 milhões de toneladas de cimento entre janeiro e maio - alta de 2,8% sobre o mesmo período de 2013, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento. Desde junho, o sindicato não pode s divulgar dados sobre o setor por imposição do Cade. O SNIC vai recorrer. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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