Autonomia do BC é reforçada por Meirelles

Presidente do BC participa de uma cerimônia em Londres, onde ele e o presidente do Banco da Inglaterra recebem o prêmio de 'Personalidade do Ano'

Daniela Milanese, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 09h02

Apesar de não ser formalmente independente, o Banco Central do Brasil desempenha política autônoma graças ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ontem o presidente do BC, Henrique Meirelles. A declaração foi feita na presença do presidente do Banco da Inglaterra (BOE), Mervyn King, entidade que é formalmente independente desde 1997. O tema da autonomia entrou no debate eleitoral depois que o pré-candidato José Serra (PSDB) afirmou que o BC "não é a Santa Sé".

Sem fazer nenhuma referência ao pré-candidato, Meirelles voltou a mencionar a independência da autoridade monetária em discurso na cerimônia em Londres, onde ele e King receberam o prêmio de "Personalidade do Ano" da Câmara Brasileira de Comércio do Reino Unido. O presidente do BC fez um balanço positivo do desempenho econômico do País nos últimos anos, sem deixar de reconhecer que os problemas enfrentados atualmente pela Europa podem representar "alguns desafios para nós também". "Enquanto muitos países embarcam numa era de austeridade, temos uma sensação de déjà vu por já termos tomado esse remédio amargo."

Meirelles avalia, no entanto, que a combinação de economia balanceada e estabilidade política permite ao País seguir um caminho de crescimento sustentado e transformação. "Historicamente, o Brasil sofreu fugas de capital dramáticas, hoje estamos preocupados com a entrada de capital."

Meirelles descreveu as vulnerabilidades superadas pela economia brasileira nos últimos anos: a fraca situação fiscal, a falta de sustentabilidade do balanço de pagamentos e a inflação elevada. O País fez, então, um rígido programa de ajustes e adotou o rigor monetário. A boa notícia, disse, é que essas políticas trouxeram benefícios e eliminaram os problemas. "A má notícia é que isso veio associado a custos muito elevados", disse, lembrando que a demanda doméstica se contraiu 6% no primeiro semestre de 2003 e 15% da produção industrial mudou do consumo doméstico para as exportações.

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