Autoridades monetárias discutem plano alternativo contra calote nos EUA

Arranjo de contingência seria usado caso o Congresso não consiga chegar a um acordo para elevar o teto da dívida do país, definido por lei em US$ 14,29 trilhões. O prazo termina no dia 2 de agosto

Agência Estado,

22 de julho de 2011 | 07h57

Autoridades do Departamento do Tesouro dos EUA, do banco central americano (Federal Reserve) e do Fed de Nova York planejam discutir nesta sexta-feira um plano alternativo, que seria usado caso o Congresso não consiga chegar a um acordo para elevar o teto da dívida do país, definido por lei em US$ 14,29 trilhões. O prazo para definição desse acordo termina no dia 2 de agosto. A informação é do jornal Wall Street Journal.

O fato é que o Tesouro precisa pagar US$ 87 bilhões no dia 4 de agosto, uma parte dos quase US$ 500 bilhões da dívida que vencem no próximo mês. Autoridades estão preocupadas com o que os mercados de crédito acharão se os EUA tentarem emitir dívida nova para substituir a que vai vencer caso o limite de endividamento não seja elevado a tempo.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, se reunirão para conversar sobre a possibilidade de postergar o pagamento dos US$ 87 bilhões para o próximo mês.

Autoridades do Tesouro têm alertado que, sem um aumento na capacidade de tomada de empréstimos, o governo pode ficar sem dinheiro para pagar todas as suas contas, o que causaria turbulência nos mercados financeiros. O governo de Barack Obama pediu que o Congresso eleve o teto da dívida, mas muitos legisladores dizem que votarão contra isso se não houver um acordo para reduzir significativamente o déficit no orçamento federal.

Jogo político. Em mais um esforço para evitar a declaração de default pelo governo no dia 3 de agosto, Obama iniciou um diálogo com o líder do partido Republicano, capaz de promover uma rápida tramitação do eventual acordo bipartidário. Segundo o New York Times, o acordo está próximo. A Casa Branca nega.

Obama reuniu-se na noite de quarta-feira com o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, conforme informou ontem a Casa Branca aos líderes democratas do Congresso. Ambos estariam trabalhando a ideia de um pacote para reduzir em US$ 3 trilhões a dívida americana nos próximos dez anos.

Ontem, não havia clareza sobre a iniciativa Obama-Boehner: se seria uma nova proposta - entre as outras três em curso - ou se seria uma articulação para favorecer o projeto da "Gangue dos Seis", formulado por senadores democratas e republicanos e recebido positivamente pela Casa Branca e pelo presidente da Câmara. Entretanto, as conversas teriam girado em torno de um ajuste fiscal menos profundo do que o previsto na proposta da Gangue dos Seis, de corte de US$ 3,7 trilhões na dívida pública ao longo da próxima década.

Obama e Boehner teriam discutido também alguns detalhes delicados, como uma possível reforma tributária em 2012, como meio de aumentar a arrecadação, e mudanças na Previdência Social e nos programas de assistência médica para famílias carentes, idosos e deficientes, de forma a reduzir os seus custos. Na área tributária, Obama e Boehner discutiram a possível redução de alíquotas para pessoas físicas e jurídicas, o fim de brechas para a evasão e a eliminação dos atuais benefícios para os contribuintes com renda superior a US$ 250 mil ao ano - medida aprovada por Obama em dezembro passado e, em princípio, válida até o final de 2012.

Ambos os lados negaram as conversas entre Obama e Boehner, confirmadas extraoficialmente por líderes dos dois partidos. Tanto Obama quanto Boehner temem rebeliões em suas bases no Congresso contra o acordo. Republicanos são contrários à elevação da carga tributária, sobretudo para os mais ricos, e democratas opõem-se a reduções nos benefícios dos programas sociais. Questionado sobre as negociações, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou "não haver acordo". O porta-voz de Boehner, Kevin Smith, seguiu na mesma linha.

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