Avanço no exterior é o maior desafio da Arezzo

Líder no País no mercado de calçados e com duas lojas-piloto nos EUA, rede aposta na internacionalização para mudar de patamar

Cátia Luz, Impresso

19 de dezembro de 2016 | 05h00

Líder isolada no Brasil, com um faturamento de R$ 1,2 bilhão no ano passado e 544 lojas, a Arezzo & Co. acredita que pode ter na expansão internacional seu próximo ponto de inflexão. O principal projeto do grupo no exterior, que ainda é piloto, é uma operação própria nos Estados Unidos, com as marcas Schutz e Alexandre Birman.

Voltada para um público de alta renda, os sapatos da Alexandre Birman, com preços que variam de US$ 495 a US$ 995, são vendidos exclusivamente em lojas de departamento e grandes varejistas online no mercado de luxo. Mas o maior investimento é na marca Schutz, com duas lojas no mercado americano.

A primeira foi aberta em 2012, na Madison Square, em Nova York. “A partir dessa loja, aprendemos o ciclo do mercado americano, a dinâmica de lançamentos e hoje temos uma equipe de criação de produtos baseada em Nova York”, explica Alexandre Birman, presidente da Arezzo & Co.

No ano passado, a empresa deu um segundo passo no país. Abriu uma loja em Los Angeles, localizada na Beverly Drive, avenida que passa por bairros como Beverly Hills e West Hollywood. O hábito de se andar de carro e a proximidade com a indústria das celebridades faz da Califórnia o maior mercado de sapatos com salto dos EUA.

“Por meio das stylists, profissionais que fazem o ‘look’ das celebridades, a Schutz conseguiu estar nos pés de várias figuras famosas, como Kendall Jenner (das irmãs Kardashian), a cantora Britney Spears e a Duquesa de Cambridge, Kate Middleton”, diz Birman. Com as iniciativas, a fatia das receitas vindas das exportações dobrou em três anos, passando de 6% para 12% do total.

Para uma analista que prefere não se identificar, a expansão da empresa no exterior é um ponto de interrogação. “A gente se pergunta se essa iniciativa vai de fato dar dinheiro. Quando eles chegaram ao mercado americano, o dólar estava a R$ 1,50, contra R$ 3,50 atualmente”, explica. A analista faz um paralelo com a empreitada da Natura, que tentou conquistar o mercado europeu, com loja em Paris, e acabou desistindo da iniciativa.

Em função dos novos projetos, entre eles a loja na Costa-Oeste americana, a Arezzo teve uma redução na margem Ebitda, que mede a eficiência do negócio. “Mas vale frisar que o fato de essa redução ter sido causada por investimentos, e não por despesas financeiras, é um atenuante”, completa a analista.

Na avaliação de Guilherme Affonso Ferreira, conselheiro independente da companhia, a expansão internacional é um grande desafio por tirar a empresa da posição confortável de poder observar os lançamentos nos EUA, que estão uma estação à frente, antes de preparar coleções no Brasil. “É um projeto difícil, mas que pode mudar a Arezzo de patamar”, afirma Ferreira.

Para Luciano Pires Cerveira, consultor na área de calçados, as operações internacionais do grupo servem como “vitrine”. Para ele, a opção pelo modelo de lojas próprias limita o ganho de escala da Arezzo no exterior. Rivais como Carmen Steffens trabalham com parceiros estratégicos locais.

Em 2008, a marca Arezzo realizou uma tentativa fracassada de expansão na China, com um parceiro local que chegou a abrir 12 lojas, todas fechadas no ano seguinte. O grupo tem ainda sete lojas franqueadas espalhadas por Bolívia e Paraguai. “Não foi um plano de internacionalização estruturado, mas tentativas pontuais levadas por terceiros”, explica Birman.

Triatleta disciplinado, Birman mantém um treino diário que reúne natação, ciclismo e corrida. Resta saber se nesse começo “morro acima” no caminho da internacionalização, a Arezzo será capaz de manter esse fôlego. / COM MÔNICA SCARAMUZZO E FERNANDO SCHELLER

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