Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Azul planeja levantar até R$ 2,23 bi em abertura de capital na Bolsa

Após três tentativas frustradas de lançar seus papéis no mercado, companhia aérea divulgou o prospecto de sua oferta pública inicial de ações (IPO), que deverá ser simultânea em São Paulo e Nova York e está marcada para início de abril

Luciana Dyniewicz, Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 21h40

A companhia aérea Azul deu nesta quinta-feira, 16, mais um passo para concretizar sua abertura de capital na Bolsa, após três tentativas fracassadas – em 2013, 2014 e 2015. A empresa divulgou o prospecto preliminar de seu IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês), em que poderá levantar até R$ 2,23 bilhões, e confirmou a intenção de realizar a abertura no início de abril.

Segundo documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais americano, o preço estimado para cada ação preferencial (sem direito a voto) da empresa é de R$ 19 a R$ 23. Serão oferecidos 72 milhões de papéis e, se eles forem vendidos ao preço máximo, a empresa garantirá R$ 1,65 bilhão. Haverá, porém, lotes adicionais que poderão elevar esse valor a R$ 2,23 bilhões.

A oferta deverá ser simultânea em São Paulo e Nova York. Nos Estados Unidos, os papéis (ADRs) estão estimados entre US$ 18,02 e US$ 21,81. Não foram divulgadas informações de quantas ações serão comercializadas como ADRs.

Em recursos líquidos, a Azul estima que captará R$ 1,26 bilhão – R$ 315 milhões serão usados no pagamento de dívida e o restante será destinado a “objetivos gerais da empresa”.

As outras três tentativas de IPO da Azul foram canceladas em decorrência de condições desfavoráveis de mercado. Para o professor da USP Jorge Leal, especialista em aviação, a situação do mercado agora também é desanimadora – no ano passado, houve queda de 5,7% na demanda por voos domésticos. A abertura total do setor aéreo brasileiro ao capital estrangeiro – medida que já é consenso no governo – seria um fator positivo, segundo Leal, já que os investidores passariam a comprar um negócio que pode receber novas injeções de capital de fora do Brasil.

Clima. O especialista em aviação André Castellini, da consultoria Bain & Company, concorda que ainda não houve uma retomada do setor, mas vê o momento atual como mais propício para o IPO do que nas outras tentativas da Azul. “O mercado financeiro está mais disposto a tomar risco e houve redução das taxas cobradas de dívidas de empresas brasileiras no Brasil e no exterior.”

Castellini destaca que os resultados da Gol e da Latam também melhoraram em 2016, após as empresas reduzirem suas frotas, adequando a oferta à demanda mais baixa. “Os últimos resultados mostram um mercado muito difícil, mas com companhias conseguindo equilibrar as contas.”

Em 2016, a Azul teve prejuízo de R$ 126,3 milhões. Apesar de negativo, o resultado foi melhor que o do ano anterior, quando as perdas foram de R$ 1,07 bilhão. Também em 2016, o Ebtidar (lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e aluguel de aeronaves) ajustado ficou em R$ 1,8 bilhão, 50% superior ao de 2015.

Ainda nesta quinta-feira, a Gol começou as apresentações de seu projeto de abertura de capital a potenciais investidores, o chamado roadshow, que irá até 6 de abril, dia em que as ações serão precificadas. Os papéis deverão começar a ser negociadas no dia 7 de abril.

Os acionistas que estão ofertando são os fundos Azul HoldCo (do controlador da Azul David Neeleman, que detém 53,56% do capital), Saleb II Founder 13, Star Sabia, WP-New Air, e as empresas Bozano, Maracatu, Morris Azul, Trip e Rio Novo Locações.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.