Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Azul tira IPO do papel e movimenta R$ 2 bilhões em abertura de capital

Após quatro tentativas e uma suspensão pelo regulador do mercado, aérea estreia amanhã no pregão da Bolsa

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2017 | 20h18

A companhia aérea Azul, enfim, conseguiu emplacar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Em sua quarta tentativa e após ser surpreendida na semana passada com uma suspensão da oferta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Azul fechou hoje, após revogação da suspensão, sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), que movimentou R$ 2,021 bilhões.

A ação da Azul, que estreia manhã na B3 (empresa resultante da fusão entre BM&FBovespa e Cetip) com o código Azul4, foi precificada em R$ 21,00, no centro da faixa indicativa de preço que constava no prospecto da oferta de R$ 19 a R$ 23, conforme antecipado mais cedo pelo Broadcast. A demanda pelas ações, apurou o Broadcast, chegou a mais de quatro vezes o volume ofertado, impulsionado, principalmente, pelo alto apetite dos investidores estrangeiros, que responderam por mais de 70% da demanda. Além da Bolsa brasileira, a Azul terá suas ações negociadas em Nova York.

Do tal da oferta, R$ 1,323 bilhão foi referente à oferta primária da companhia, ou seja, dinheiro novo que irá para o caixa da empresa. Já R$ 698,036 milhões refere-se à oferta secundária, que corresponde à venda de ações no IPO de atuais acionistas.

Essa é a maior abertura de capital na Bolsa brasileira em quatro anos, desde a oferta da BB Seguridade, que movimentou R$ 11,47 bilhões. As outras ofertas maiores do que a da Azul foram re-IPOs (quando uma empresa de baixa liquidez em bolsa se relança no mercado com uma oferta de ações) ou ofertas subsequentes (follow-ons), caso da oferta de R$ 2,3 bilhões do Santander, fechado na semana passada.

Para conseguir que seu IPO prosseguisse, a Azul chegou a enviar comunicado ao mercado informando que os investidores de varejo que realizaram suas ordens poderiam desistir da operação, o que pode ser feito até o dia 13. No entanto, segundo fontes, até aqui as ordem foram mantidas, garantindo o sucesso da operação. A Azul informou em prospecto que usará parte dos recursos captados para pagar dívidas e elevar o capital de giro.

A empresa encerrou 2016 com prejuízo líquido de R$ 126,3 milhões, valor 88,2% menor que a perda de R$ 1,074 bilhão de 2015. O resultado operacional (Ebit), por sua vez, somou R$ 344,2 milhões em 2016 - no ano anterior, a linha ficara negativa em R$ 167,5 milhões.

O maior acionista da Azul é David Neeleman, fundador da companhia aérea. A Trip (Participações e Investimentos) é o segundo maior sócio. Já a chinesa Hainan Airlines, que entrou no capital em 2015, é a terceira.

Trata-se da terceira abertura de capital na Bolsa brasileira neste ano. Antes da Azul realizaram o IPO a companhia de locação de veículos Movida e a de diagnósticos médicos Hermes Pardini.

O diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), José Eduardo Laloni, disse hoje que o início de 2017 foi muito positivo para o mercado de renda variável, diante da perspectiva da taxa de juros chegando a um dígito até o fim deste ano, e ainda com a inflação controlada. "Isso pode ter um impulso em relação aos anos passados que foram muito mornos. Existe uma confiança, até pelo número de processos em andamento. Os bancos de investimento estão movimentados", afirmou.", disse.

Superpreferenciais. A Azul traz para o mercado brasileiro um desenho de oferta novo no País. Embora o capital da empresa seja constituído por ações ordinárias e preferenciais, foram oferecidas no mercado apenas PNs, que não têm direito a voto, mas que trazem como contrapartida maiores direitos econômicos, como o pagamento de dividendos. No mercado essa ação foi batizada de ação "superpreferencial". Do lado da Azul, o objetivo é não alterar a estrutura de controle da companhia.

O tema é muito controverso. Na opinião de Mauro Cunha, presidente da Amec, associação que reúne investidores minoritários, esse modelo é danoso ao mercado de capitais. 

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