Jose Manuel Ribeiro/Reuters
Jose Manuel Ribeiro/Reuters

Dono da Azul vence disputa pela aérea portuguesa TAP

Neeleman terá 61% da companhia e poderá desembolsar até € 488 milhões; negócio depende da aprovação da Comissão Europeia

O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 10h23

Atualizado às 11h20

LONDRES - O empresário David Neeleman, dono da empresa aérea Azul, venceu a disputa pela privatização da companhia aérea portuguesa TAP. A informação foi confirmada pelo governo português nesta quinta-feira. Além de Neeleman, o empresário Germán Efromovich, controlador da Avianca, estava na disputa.

A oferta de Neeleman tem o valor mínimo de € 354 milhões, mas pode chegar a € 488 milhões, dependendo do desempenho da empresa em 2015. O principal objetivo do desembolso é reforçar o caixa da empresa. Nesse valor, a compra das ações vai consumir pequena parcela: 10 milhões de euros. 

O empresário terá, então, 61% das ações da aérea portuguesa, que é líder nas conexões entre Brasil e Europa. Outros 5% ficarão com os funcionários e os 34% restantes permanecerão com o governo português. 

A escolha da proposta de Neeleman foi confirmada durante reunião da cúpula do governo português nesta quinta-feira. O conselho de ministros usou três principais aspectos para a escolha do vencedor: reforço de capital, projeto estratégico e valor da transação. 

A TAP acumulou dívidas milionárias nos últimos anos, o que diminuiu substancialmente o capital da empresa. Por isso, o consórcio vencedor propõe injetar no curto prazo cerca de € 340 milhões na empresa. "O capital será aportado de diversas formas, mas tudo será feito em dinheiro", disse o secretário de Transportes do governo português e responsável pelo processo de privatização, Sérgio Monteiro. 

"A oferta vencedora apresenta mais dinheiro e mais cedo para fazer face aos desafios de tesouraria. Esse valor de capitalização está assegurado", disse Monteiro.

Como a grande despesa será na capitalização, o valor que ingressará no caixa do governo português com a venda das ações será de 10 milhões de euros ou 2,84% do valor global da oferta. "O valor é reduzido, mas é importante. É um valor positivo e não negativo", disse Monteiro, ao comentar que avaliações mostravam que, mesmo com o reforço de capital exigido na licitação, a TAP teria valor econômico negativo entre € 36 milhões e € 140 milhões.

Aprovação. O negócio, no entanto, ainda depende da aprovação da Comissão Europeia, já que as regras do bloco impedem que companhias aéreas com sede na UE sejam controladas, em mais de 50%, por um proprietário não europeu. 

Por esse motivo, o fundador da norte-americana JetBlue e da brasileira Azul se aliou ao empresário local Humberto Pedrosa, ligado ao grupo Barraqueiro. Pedrosa representará 50,1% do consórcio, exatamente para se adequar às regras de Bruxelas, que agora deve se pronunciar sobre o caso.

A oferta perdedora, do dono da Avianca, não levantava dúvidas sobre essa questão, já que Efromovich tem passaporte polonês. 

Em 2012, o governo português já havia tentado realizar a privatização da TAP, mas rejeitou a única oderta que recebeu à época, de Efromovich, por um valor de cerca de € 340 milhões, devido à falta de garantias.

Condições. Mesmo com a troca do controle acionário, a companhia aérea TAP não poderá retirar o centro de distribuição de voos, o chamado "hub", de Portugal nas próximas três décadas. Essa é uma das condições previstas no processo de privatização da empresa. Além disso, as principais rotas da aérea - que não foram detalhadas - deverão continuar em operação por dez anos.

"A TAP tinha um futuro imediato ameaçado", disse Monteiro, ao comentar que o consórcio vitorioso prevê injeção de capital de curto prazo de cerca de € 340 milhões na aérea. "O resultado é um sucesso", completou. 

A aérea transportou, em 2014, 11,4 milhões de passageiros - um recorde para a empresa - em 88 países da África, Europa e América. Mesmo assim, a empresa fechou o ano passado com perdas de €  85 milhões. Fundada em 1945, a companhia conta atualmente com cinco mil funcionários e uma frota de 77 aviões. 

(Com informações de Fernando Nakagawa, da Agência Estado, e de agências internacionais)


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