Baixa da tarifa de ônibus vai aliviar inflação em junho e julho

Impacto dos reajustes no Rio e em SP pode chegar a 0,21 ponto porcentual no IPCA

Irany Tereza e Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

20 de junho de 2013 | 08h59

RIO - A redução nas tarifas de transporte público anunciada nas principais capitais do País puxará para baixo a inflação em junho e julho. "Esses serviços têm peso substancial e influenciam muito a inflação no curto prazo", explicou o economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas. As tarifas de transporte urbano em São Paulo e no Rio têm o maior peso no cálculo geral da inflação.

Cada ponto porcentual de aumento nas tarifas de ônibus, metrô e trens corresponde a 0,03 ponto porcentual de aumento na inflação. Isso significa que um aumento de cerca de 7%, como o que ocorreu no Rio e em São Paulo, corresponderia sozinho a 0,21 ponto porcentual a mais na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Braz ressalta que, para a população de baixa renda, o impacto do aumento das tarifas é ainda maior do que no resto da população.

Já para a Consultoria Tendências, a revogação do aumento deverá impactar em 0,10 ponto porcentual a inflação medida pelo IPCA no decorrer do ano. O cálculo foi feito pela analista e especialista em inflação Adriana Molinari. Ela adianta, porém, que se trata de uma projeção preliminar dado que algumas outras capitais que fazem parte da coleta de preços pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do IPCA poderão ainda revogar os aumentos das passagens de ônibus.

De acordo com Adriana, a despeito da revogação dos aumentos das tarifas, a Tendências mantém sua previsão de IPCA para o ano em 5,6% porque ela já acomodava um viés de alta. O peso da tarifa de ônibus na composição do IPCA é de 2,65% e a do metrô, de 0,16%.

Foram 19 dias de preços reajustados (desde 1.º de junho) e, por isso, o impacto da redução neste mês será relativizado. "Mas a inflação caminhará, em julho, para uma desaceleração", diz Braz. Por isso, o índice de julho já vem mais baixo, com uma contribuição boa de transporte por causa da anulação do reajuste.

Mais alívio. Algumas cidades podem fazer a tarifa ficar ainda mais barata por causa de isenção de impostos. Braz explica, porém, que esse impacto não será suficiente para reduzir muito as previsões inflacionárias para o ano. "Alivia um pouco, um ajuste fino, mas ninguém deve mudar muito a projeção para o ano. A taxa de inflação deve fechar 2013 bem próximo do teto da meta fixada pelo governo (6,5%), em torno de 5,9% ou 6%. Com certeza ficará acima do registrado no ano passado (5,8%)", disse o economista.

Sobre a vitória do movimento popular, que conseguiu retomar o preço das passagens, Braz chama a atenção para o acompanhamento das consequências dessa medida.

"Ou há espaço para que isso (a redução de tarifas) aconteça, ou vamos descobrir depois quem está pagando por essa redução. Se não houver espaço para isso e o governo estiver financiando, é mais um gasto público que vamos absorver. Caso contrário, não precisaria mesmo ter ocorrido o reajuste. Se havia gordura no preço ou não, só o tempo vai responder."

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