Balanço do Fed deve voltar para baixo de US$ 1 tri, diz Bernanke

Redução deve ser gradual e previsível, embora ainda não haja um plano específico com esse objetivo

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

25 de março de 2010 | 13h05

O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou que o banco central eventualmente terá de reduzir seu balanço de US$ 2 trilhões para os níveis registrados antes da crise financeira, acrescentando que esse patamar deve ser inferior a US$ 1 trilhão.

 

Durante uma audiência com o Comitê de Serviços Financeiro da Câmara dos Representantes dos EUA, Bernanke afirmou que "diminuir o balanço é similar a um aperto monetário", mas ressaltou que o ponto principal da medida reside no fato de o banco central não ter interesse em deter títulos hipotecários. Ele afirmou também que a redução do balanço será feita "gradualmente e de forma previsível", embora ainda não haja um plano específico com esse objetivo.

 

Segundo Bernanke, a receita que o Fed está gerando com os títulos hipotecários mais do que cobrirá a capacidade da instituição para pagar juros sobre as reservas e isso permitirá que o banco central envie uma "quantia grande e incomum de dinheiro" ao Departamento de Tesouro dos EUA nos próximos anos.

 

Ele ressaltou, no entanto, que o mercado de habitação "ainda está bastante fraco", apesar de o setor de hipotecas estar em melhor forma. Bernanke disse que o esforço do Fed para comprar US$ 1,25 trilhão em hipotecas "foi eficaz" e afirmou não estar preocupado com a possibilidade de surgirem problemas nesse segmento após o encerramento dessas aquisições. "Até agora, parece que houve pouquíssimas reações negativas" em relação ao término do programa, disse a autoridade.

 

Bernanke comentou que o compromisso do Fed de manter as taxas de juro em níveis extraordinariamente baixos por um período prolongado não estipula um "tempo fixo" e está condicionada ao ritmo de crescimento da economia. "Se as coisas começarem a se mexer, vamos ter de responder", acrescentou.

 

Segundo o presidente do Fed, a instituição terá de apertar a política monetária antes de a recuperação econômica atingir a plenitude. "Não poderemos esperar até as coisas voltem ao normal" antes de elevar os juros, mas nos certificaremos de que "a economia está em um caminho sustentável de crescimento" antes de agir, explicou.

 

Ele disse que o banco central não vê "até o momento desequilíbrios de preço em classes de ativos" que indiquem o surgimento de bolhas devido ao contexto de juros baixos.

 

Bernanke afirmou que seria "muito útil" para o governo norte-americano montar um plano de redução dos déficits, acrescentando que o principal risco para a economia e para o prognóstico de política monetária é a possibilidade de "perda de confiança" dos investidores nos títulos do Tesouro dos EUA. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
BernankeFedBanco Centralbalanço

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.