Balanços corporativos do trimestre sentem peso do dólar

Grandes companhias brasileiras divulgaram quedas bruscas em seu lucro ou até foram levadas ao prejuízo no terceiro trimestre por causa da valorização do real causada pelo agravamento da crise europeia, a partir de meados de agosto. Entre as prejudicadas figuram gigantes nacionais como Vale, Suzano e Fibria. A Suzano disse na sexta-feira que vai "vender o que puder" para reduzir seu endividamento e a consequente exposição à variação da moeda americana.

AE, Agencia Estado

31 de outubro de 2011 | 12h03

Apesar de o dólar já estar em trajetória de baixa - em outubro, a moeda acumulou queda de mais de 10% em relação a setembro, fechando o mês abaixo de R$ 1,70 -, o economista e consultor Paulo Sandroni afirma que o câmbio sempre será um fator de risco para as empresas nacionais. Embora a situação esteja mais calma neste momento, o professor aposentado da Fundação Getúlio Vargas (FGV) lembra que a situação na Europa é um problema de longo prazo - e novas oscilações não podem ser descartadas.

"O câmbio sempre reflete a situação do momento. Agora, tudo está mais calmo, até por conta do acordo relativo à dívida da Grécia na semana passada", explica o economista. Com isso, diz Sandroni, os recursos voltam a fluir para o mercado financeiro e também para países que pagam juros altos, como o Brasil. Apesar de ressaltar que o movimento recente do câmbio não foi "nenhuma catástrofe", o especialista diz que nada impede que um novo susto na Europa não faça os investidores correrem para o dólar e o euro novamente, em busca de opções mais seguras.

É por causa dessa incerteza que o presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, disse na sexta-feira que vai iniciar uma cruzada de captação de recursos para a companhia. "Venderemos tudo o que pudermos para diminuir a dívida até o início da fábrica no Maranhão", afirmou, em referência à fábrica de celulose da companhia prevista para entrar em operação em 2013. No terceiro trimestre, o resultado da Suzano foi negativo: a empresa perdeu R$ 425 milhões. Em igual período de 2010, teve lucro de R$ 273 milhões.

O câmbio também teve impacto na linha final do balanço da Fibria, empresa surgida após a crise de 2008, fruto da união de VCP e Aracruz. A companhia, que luta para reduzir o seu endividamento para retomar o plano de investimentos, teve prejuízo de R$ 1,1 bilhão entre julho e setembro, revertendo lucro de R$ 303 milhões no terceiro trimestre do ano passado. Já a mineradora Vale viu seu lucro cair para R$ 7,89 bilhões, uma redução de 25%, por conta do impacto da alta do dólar em seus custos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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