Ban Ki-moon, da ONU, lamenta divisão sobre reforma financeira

Para secretário, 'esta não é uma causa para uma pessoa, um país ou grupo de nações. É um desafio para todos'

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

24 de junho de 2009 | 15h10

Na abertura da conferência sobre crise mundial, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon fez um desabafo sobre a posição dos países membros da organização a respeito da reforma de instituições multilaterais. "Lamento que a reforma das instituições financeiras tenha dividido os países membros. Esta não é uma causa para uma pessoa, um país ou grupo de nações. É um desafio para todos", afirmou, na sede em Nova York.

 

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O mundo, acrescentou o secretário, ainda está lutando para superar a pior crise econômica e financeira desde a fundação da ONU, há mais de 60 anos. Ki-moon, então, buscou metáfora usada recentemente por participantes do mercado financeiro para advertir que não há "brotos verdes" de recuperação da economia para um grande número de países. "Há apenas um terreno improdutivo, e o impacto da crise pode durar por anos."

 

O secretário-geral citou que "alguns" falam em estabilização e até crescimento para a economia de certos países. "Quero dizer claro e alto que há apenas sinais", acrescentou. O mundo está em meio a crises múltiplas, continuou Ki-moon, citando a gripe suína, rebatizada de influenza A H1N1. Milhões de famílias estão sendo empurradas para a pobreza e 50 milhões de postos de trabalho podem ser perdidos apenas neste ano, calculou o secretário-geral da ONU. "Pobreza extrema tem se tornado ainda mais severa", disse.

 

Ao afirmar que o mundo precisa de solidariedade e precisa da ONU, Ki-moon disse acreditar que são necessárias "prioridades claras". Ele citou o suporte financeiro de mais de US$ 1 trilhão acertado pelo G-20, mas avaliou que é preciso comprometer fundos para "ajudar os mais pobres e vulneráveis". "Esta é a razão pela qual acabei de enviar uma carta aos líderes do G-8", disse ele, em referência à reunião que será realizada na Itália, no próximo mês.

 

O secretário-geral da ONU ainda pediu ações em áreas específicas, como mobilização dos países para coleta de dados em tempo real sobre o impacto da crise sobre os mais pobres, e reiterou a necessidade de reforma de instituições internacionais, tema que tem provocado contenda sobre como o processo deve ser conduzido.

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