Banco BVA receberá aporte de R$ 300 milhões

O Banco BVA, 38º maior do País, com ativos de R$ 7 bilhões ao final de março, receberá nas próximas semanas um aporte de capital de R$ 300 milhões dos sócios. A instituição tem sido alvo de comentários negativos nos bastidores do mercado nos últimos meses, principalmente depois que um plano de reorganização societária foi rejeitado pelo Banco Central (BC).

AE, Agencia Estado

29 de agosto de 2012 | 10h34

O presidente do BVA, Ivo Lodo, disse à reportagem que a questão societária não interfere no dia a dia do banco, informou que os sócios atuais estudam outro formato para alterar o bloco de controle e explicou que o capital novo dará fôlego à estratégia de voltar a crescer em 2013.

?Estamos reposicionando o banco, fazendo ajustes e, com o dinheiro adicional, nos preparamos para aproveitar um momento que deve ser melhor para a economia?, disse, lembrando que as perspectivas para o ano que vem são melhores do que as de 2012.

Estruturalmente, disse Lodo, o BVA pretende fortalecer a área de serviços financeiros. ?Isso não significa que vamos deixar o crédito de lado, mas a ideia é ampliar segmentos como o de consultoria a fusões e aquisições.?

Caso o aporte se confirme, o BVA melhorará seus indicadores de solvência e terá espaço para ampliar a concessão de empréstimos. No fim de março, o chamado Índice de Basileia do banco estava em 13,8, acima do mínimo exigido pelo BC brasileiro, de 11. O Basileia mede a relação entre patrimônio líquido e carteira de crédito. Grosso modo, significa dizer que cada R$ 1 de capital pode se transformar em, no máximo, R$ 9 de crédito.

O ideal, no entanto, é que as instituições tenham uma folga no indicador. ?No caso de um banco do tamanho do BVA, é importante mantê-lo acima de 13?, afirmou um analista, que pediu para não ser identificado.

O banco ainda não divulgou os resultados do 2.º trimestre, mas é provável que o Basileia diminua, uma vez que é certo que a instituição apresentará prejuízo - em torno de R$ 95 milhões. Essa perda se reflete justamente no patrimônio líquido.

BC aperta - Com o aporte prometido, o BVA conseguiria repor o prejuízo semestral e criar um colchão que tanto pode ser usado para absorver eventuais novas perdas quanto para dar suporte à expansão do crédito.

O prejuízo semestral é fruto da alta da inadimplência e do aumento das provisões exigido pelo BC. No caso do BVA, a autoridade pediu cerca de R$ 160 milhões adicionais. Desde o fim do ano passado, o BC vem apertando o controle sobre as instituições financeiras, em especial as de pequeno e médio porte. O objetivo do BC é garantir que o sistema financeiro nacional continue saudável, a despeito da tendência da alta nos calotes.

Lodo e outro sócio, José Augusto Ferreira dos Santos, possuem, juntos, 68% das ações ordinárias do BVA. O primeiro é quem toca o dia a dia, enquanto o segundo tem a maior quantidade de ações. A reorganização societária prevê justamente a saída de Santos. Os 32% adicionais pertencem a um fundo de private equity e a uma empresa controlada pelo grupo Caoa. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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